Quando espiamos através das janelas quebradas, há uma forte impressão de que uma guerra passou por aquele que um dia foi o Posto de Saúde do Conjunto Avelino Vieira (Zona Oeste de Londrina). O teto está em frangalhos, fruto das incessantes buscas de ladrões por fiações elétricas; o piso, forrado por pedaços de concreto e restos de reboco das paredes; portas, torneiras e tudo mais que podia ser removido, desapareceu.
O imóvel foi desativado no início do ano passado, quando o atendimento foi transferido para a Unidade Básica de Sa© úde (UBS) do Jardim Maracanã, na mesma região. Os moradores estão indignados com o desperdício de dinheiro público. O local, pertencente à Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), ficou a mercê de ladrões e vândalos.
''A desativação foi muito ruim para nós, porque usávamos bastante o posto. Para mim, que tenho 85 anos, é impossível ir a pé ao Maracanã. E agora o imóvel está aí, abandonado'', critica a aposentada Severina Tereza do Nascimento, 85 anos. A diretora do Centro de Educação Infantil (CEI) Avelino Vieira, Sônia Duarte, 40, disse que pediu ao Município que cedesse a sede do antigo posto para ampliação da creche, que fica ao lado e atende 200 crianças. A resposta foi que o local estava reservado para abrigar um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).
''Estamos ouvindo essa conversa há mais de um ano. No final, não temos posto, nem CRAS. Se tivéssemos ocupado o espaço, não teria sido todo destruído como foi. É uma judiação ver um imóvel tão bom transformado nisso'', lamentou Sônia. A quebradeira promovida no local procovou vazamentos em vários pontos, levando ao desperdício constante de água.
A Folha falou com a assessoria de imprensa da prefeitura, que confirmou que o local vai abrigar uma nova unidade do CRAS. Segundo a assessoria, a Secretaria Municipal de Obras está elaborando um projeto para reforma e adequações do prédio mas o levantamento de custos terá que ser refeito, justamente por causa dos estragos e isso só vai acontecer depois que a greve do funcionalismo público terminar. A previsão é que as obras comecem no ano que vem.

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