Posto de saúde cobra por exames e revolta moradores
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sexta-feira, 09 de agosto de 2002
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Santa Inês - A cobrança por exames de saúde no único posto de Santa Inês (120 km de Maringá) vem revoltando moradores do município. Os preços são praticados conforme uma tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) mantida pelo posto. A prática de cobrança é usual e confirmada pelo próprio secretário municipal de Saúde, José Ferreira Lima e pelo prefeito Antonio Scandelai (PFL). Segundo o secretário, a prefeitura cobra 50% do preço por cada exame requisitado e só abre mão do dinheiro quando a pessoa mostra ser de fato ''carente''.
A dona-de-casa Zenilda Anastácia Roque da Silva, 60 anos, diz que o posto estipulou um valor de R$ 76,50 por seis exames do marido José Alves da Silva, 57, que sofre de várias doenças como diabetes e osteoporose. ''Gasto R$ 200,00 por mês com remédios porque não consigo nenhum do posto e ainda tenho que pagar pelos exames'', reclama a dona-de-casa.
Conforme Zenilda, o atendimento de saúde do município ''é lamentável''. ''Não tenho medo de reclamar porque muitos moradores têm, mas o que acontece nessa cidade quando precisamos de médicos ou qualquer outro atendimento é um absurdo'', diz a dona-de-casa. O medo a que se refere Zenilda é confirmado pela gari Isabel das Graças Galindo, 54 anos, funcionária do município há 12 anos. A cidade tem apenas 2.100 habitantes e muitos dependem de emprego da prefeitura.
Segundo Isabel, a prefeitura já a suspendeu por diversas vezes. ''Aqui eu pago por médico, remédio e exames e nunca consigo licença do trabalho apesar de ser epilética'', afirma a funcionária. Ela conta que tem cinco férias vencidas e que o salário pago pela prefeitura é insuficiente para bancar os gastos com medicamentos. ''É bem capaz de eu ser suspensa porque estou falando com você (reportagem da Folha), mas nem ligo porque estou precisando de alguns dias para me tratar'', diz com humildade a funcionária.
O secretário municipal de Saúde, José Ferreira Lima, afirma que a triagem de quem vai ou não pagar pelos exames é feita no próprio posto. ''Se a pessoa é carente não paga, mas se é aposentada, recebe algum benefício ou tem emprego paga 50% e a prefeitura os outros 50%'', diz Lima. Segundo o secretário, os exames são sempre encaminhados para um mesmo laboratório, em Colorado. O secretário diz que as consultas médicas não são cobradas. ''O posto tem um pediatra e dois clínicos'', conta Lima.
Para o prefeito Antonio Scandelai, a prática não fere nenhum dispositivo legal e nem mesmo a própria Constituição Federal. Scandelai afirma que o município recebe apenas R$ 2.754,00 do SUS e que gasta entre R$ 10 mil a R$ 12 mil com o atendimento público da saúde. A vereadora Luiza Saraiva (PMDB) diz que a saúde do município é precária porque também faltam hospital e consultas especializadas. ''Os moradores daqui dependem de outros municípios e recebem atendimento gratuito nas cidades da região por onde buscam socorro'', afirma.


