Sem combustível, motoristas londrinenses acordaram cedo no sábado (26) para tentar abastecer carros e motos. Filas foram formadas em alguns estabelecimentos, mas eles permaneceram fechados por falta de estoque. Apenas o posto Cotovelos, na avenida Higienópolis, funcionou para abastecer carros oficiais da polícia, da Guarda Municipal, de órgãos de saúde estaduais e municipais e também carros particulares de médicos e policiais. No caso dos particulares, cada veículo teve autorização para abastecer apenas dez litros mediante apresentação de identificação profissional.



De acordo com o dono do posto, Sandro Zanchet, ele conseguiu 30 mil litros através de acordo o com o movimento grevista apenas para abastecimento dos carros listados. A liberação aconteceu porque o posto é um dos únicos que aceita o cartão oficial de combustível usado pela Polícia Militar. Ele não mexeu no preço do combustível e vendia etanol a R$ 2,99 e gasolina a R$ 4,69. Já o diesel estava sendo vendido a R$ 3,89 na bomba. Zanchet informou que iria baixar o preço em dez centavos, conforme decreto do governo, mas até o final da manhã o valor não tinha sido alterado.

Imagem ilustrativa da imagem Posto de Londrina só abastece veículos oficiais, de médicos e policiais
| Foto: Saulo Ohara/Grupo Folha



A médica plantonista dos hospitais Zona Norte e Mater Dei, Bruna Volpi, soube do abastecimento em um grupo de Whatsapp e procurou o posto na manhã de sábado. "Concordo com o motivo da greve, mas estava com o tanque vazio e vim correndo", disse.

O médico oncologista do Hospital do Câncer, Daniel Rubens, também soube da liberação do combustível no posto Cotovelos pelas redes sociais e ficou uma hora na fila. "Se não fosse por isso, não conseguiria dar plantão", disse. Clínicas particulares tentaram abastecer com motoristas e enfermeiros, mas esses profissionais não estão autorizados. Só há abastecimento quando o médico está presente.

Em um posto de combustíveis na esquina das ruas Belém e Duque de Caxias, um boato em redes sociais sobre a oferta de combustível motivou a formação de filas no entorno do estabelecimento, que permaneceu fechado. O gerente comercial Alexandre Capelli foi um dos que entrou na fila sem saber se conseguiria abastecer. Ele mora em Florianópolis, estava em Londrina a trabalho e precisava do combustível para retornar. "Já devia ter voltado na quinta-feira, mas não consegui", lamentou.

O taxista Ademir José Alves chegou ao local às 6 da manhã com esperança de abastecer. "Se não conseguir, não tenho como trabalhar", afirmou. Essa é a mesma preocupação do motorista de Uber Eduardo Yokomizo, que chegou ao posto às 3h50 e ocupava o primeiro lugar da fila. "O posto está fechado, mas meu combustível acabou. Nem que eu quisesse, não teria como sair", lamentou ele, que estava preocupado com os próximos dias. "Se eu não trabalhar, não ganho."

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