Posto de gasolina é alvo de tiroteio
Francelino França
De Londrina
O Auto Posto de Combustíveis Carajás, localizado na Avenida Maringá (região oeste de Londrina), foi alvo de tiroteio na madrugada de domingo. Duas caixas de bombas foram atingidas, danificando quatro bicos dosadores. Um outro tiro acertou a porta da loja do estabelecimento. No momento da ocorrência, o posto estava fechado e não foram identificados os autores dos disparos.
Isso é colega nosso, qualquer inocente vê. O pessoal quer que a gente entre no time deles, e eu não entro, advertiu o proprietário do Posto Carajás, Emílio Santaella. Há indícios, segundo afirmou o empresário, de que sejam os concorrentes que o estejam amedrontando, em função dos preços praticados por ele. O pessoal, no qual se refere Santaella, é formado pelos 41 proprietários de postos, denunciados por formação de cartel.
No Auto Posto Carajás, o litro de gasolina custa R$ 1,099; o de álcool R$ 0,559 e o de diesel R$ 0,579. Os preços do posto de Santaella estão abaixo dos praticados pela concorrência. Desde dezembro, segundo o empresário, eles elevaram os preços dos combustíveis, enquanto ele manteve os mesmos valores. Meu preço é mais baixo e não trabalho no vermelho. Abro o posto às 6h30 e já tem fila na porta.
Os disparos não amedrontaram o empresário e ele afirma não ter medo de que isso possa piorar. Podem me matar que a política do posto vai continuar a mesma. Estou na mão de Deus, afirma. Nos 19 anos em que Emílio Santaella é proprietário do posto, essa foi a primeira vez que o estabelecimento foi alvo de um fato como esse. Ele registrou queixa na 10ª Subdivisão Policial de Londrina e continuou a trabalhar no mesmo ritmo.
Cartel Em dezembro, o promotor de Defesa do Consumidor de Londrina, Hélio Cardoso, ofereceu no Fórum denúncia-crime contra 41 donos de postos de combustíveis em Londrina. Ele acusava proprietários de crime contra a ordem econômica (formação de cartel) e aumento injustificado de preços em razão de dominação do mercado, como noticiou a Folha na época.
Segundo apurou Hélio Cardoso, a partir de outubro de 99, o preço pelo litro de gasolina praticado pelos 41 postos variava entre R$ 1,27 e R$ 1,29, o que não descaracteriza o cartel. O promotor de Defesa do Consumidor requereu também a abertura de inquérito policial ao delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Wanderci Corral Fernandes, para apurar os aumentos da gasolina praticados pelos postos de Londrina.
Recentemente, o Posto Carajás ganhou destaque no noticiário da cidade, quando a 2ª Cia de Trânsito de Londrina precisou intervir no local em função dos intermináveis congestionamentos na Avenida Maringá. A polícia desviou o trânsito para outra rua e multou muitos motoristas.





