Os postos de combustível de Ponta Grossa tornaram-se, já há algum tempo, um perigoso ‘‘point’’ para os jovens. Nos finais de semana, os pátios das lojas de conveniência ficam lotados de carros e motocicletas. São adolescentes e jovens que se reúnem para fazer uma espécie de ‘‘aquecimento’’ antes de seguir para bares e boates. E quando a conversa fica animada, eles nem chegam a sair do posto.
O problema é que, enquanto ficam nos postos, deixam ligadas em altíssimo volume as incrementadas aparelhagens de som de seus carros. O quadro fica ainda pior quando eles aproveitam as lojas de conveniência e se abastecem de bebida alcoólica e cigarro – tudo consumido ali mesmo, em meio às bombas e aos vapores da gasolina e do diesel. Somado a isso, em um flagrante desrespeito às mais básicas normas de segurança, não têm a menor cerimônia em usar telefones celulares, ignorando o risco de provocar um incêndio ao promover o contato das ondas eletromagnéticas emitidas pelo celular com os vapores liberados pelo combustível.
Além de desobedecer as regras elementares de segurança, colocam em risco a própria vida, assim como dos demais clientes e funcionários que os atendem. A vizinha de um desses postos diz que está cansada de reclamar. Ela nem quer mais que seu nome seja divulgado porque, segundo ela, cada vez que se queixa, a algazarra aumenta. ‘‘Se eu reclamo eles aumentam o barulho. É uma provocação’’, conforma-se.
A presença da Polícia Militar nos postos é bastante frequente. Mas pouco adianta. Segundo o comandante do Pelotão de Trânsito da PM, tenente Edmauro Assumpção, nas quartas, sextas, sábados e domingos, a polícia recebe de cinco a seis chamadas por noite para tentar acalmar a situação. Além do som alto e da algazarra que incomodam os vizinhos, não é raro a ocorrência de brigas, ocasionadas pelo consumo excessivo de cerveja e outras bebidas. E não são só os vizinhos que pedem o auxílio da polícia. Os próprios funcionários dos postos chegam a acionar o plantão da PM, com medo de que aconteça algum incidente mais grave.
O vereador Valfredo Laco Dzázio (PRP) apresentou, em 1999, um projeto que proibia a venda de bebidas alcoólicas nas lojas de conveniências situadas na área dos postos de serviços. A medida, estima o vereador, resolveria 90% dos problemas que têm sido verificados. Mas, até hoje, o projeto sequer foi discutido pela Câmara.

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