Postes coletivos acabam com 'gatos'
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de agosto de 2001
Érika Pelegrino<BR>De Londrina 
Livres dos riscos de incêndio que ameaçavam constantemente os barracos de assentamentos e ocupações, devido às ligações clandestinas de energia os famosos gatos mais de mil famílias de Londrina enfrentam agora a dificuldade de conseguir pagar pelo consumo de energia. No total, os postes comunitários de energia elétrica serão instalados em nove assentamentos e ocupações.
Cada poste comunitário será utilizado por um grupo de famílias que terá que pagar R$ 250,00 pela instalação e mais o consumo de energia. A entrada do serviço, que é a instalação dos pontos de energia será dividida em 12 parcelas. Já o consumo foi calculado de acordo com a carga já consumida. Segundo o engenheiro da Copel, Oscar Durães, está sendo disponibilizada carga suficiente apenas para abastecer o que já é consumido pelos moradores.
Os valores, tanto das parcelas referentes à instalação dos postes quanto do consumo de energia, irão variar de grupo para grupo. As 16 famílias que utilizam um dos pontos de energia do conjunto Aquiles Sthenghel irão pagar cerca de R$ 13,00, pela energia consumida, segundo Odair Lisboa Nascimento, morador responsável por este grupo. O valor das parcelas ele ainda não sabe.
Já as 17 famílias que utilizam um dos pontos da favela Quati, não podem consumir mais que R$ 15,00, de acordo com o morador Edvaldo Nascimento. Pelo poste comunitário estas famílias irão pagar R$ 2,00 durante um ano. Os usuários terão que arcar ainda com os custos dos fios para puxar energia até suas casas.
O grupo de Cleonice Alves, do conjunto Aquiles Sthenghel, precisa comprar 560 metros de fios a um custo de R$ 563,00. Cada morador terá que pagar R$ 18,00.
Já recolhi mais de R$ 100,00. Sei que logo conseguiremos comprar os fios, afirmou. Para não ficar sem energia alguns moradores da favela do Quati apelaram para emendas de fios. Não temos dinheiro para comprar fios novos, disse Solange da Silva.
A maioria dos moradores está desempregada ou vive de bicos. Mesmo assim, eles consideram que a energia regularizada é melhor que as antigas gambiarras, mas prevêem problemas na hora de dividir a conta. Cada grupo irá receber uma única fatura cujo valor deverá ser rateado pelos usuários.
Edvaldo Nascimento afirmou que o problema já está criado. Na hora de pagar vai ter gente dizendo que consumiu menos, que tem outros que consomem mais, disse. Odair Nascimento, do conjunto Aquiles Sthenghel, já reclama da quantidade de casas que amanhecem com as lâmpadas acesas. Quem vai pagar por este desperdício, questionou.
Solange da Silva disse que há moradores sem renda nenhuma que não terão como entrar no rateio. A gente mal vai conseguir pagar a nossa parte, não sei como faremos com a parte destas pessoas, afirmou.


