Possibilidade de licitação irrita vendedores
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segunda-feira, 09 de junho de 2003
Fernanda Bressan<br>Reportagem Local 
Era para ser apenas uma reunião para apresentação do projeto arquitetônico que viabilizaria a volta dos 16 vendedores de lanche para o Terminal Urbano de Transporte Coletivo de Londrina (área central), mas uma declaração acirrou os ânimos dos presentes. O assessor de relações comunitárias da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), pastor Carlos Xavier, apontou que o projeto elaborado pela companhia especifica um espaço para o comércio. Isso poderia exigir abertura de processo de licitação para definir quem ocuparia o local. Segundo ele, essa questão foi levantada por um advogado da CMTU.
A declaração de Xavier irritou a vendedora Lédina Mendes, que salientou: ''Se for para ser assim, volto do mesmo jeito que estava antes, com carrinho caindo aos pedaços''. Outra vendedora, Higina dos Santos, elogiou o projeto arquitetônico mas criticou a CMTU. ''Não existe licitação a céu aberto e na calçada. Vamos esperar a decisão e ver qual é o próximo impedimento que eles (CMTU) vão arrumar.''. A assessoria jurídica da CMTU deve emitir parecer na próxima semana.
Mas a possibilidade de uma licitação não é o único problema. O projeto foi orçado em R$ 37.735, sem considerar a demolição da fachada e adequação da grade. Segundo Xavier, o valor deve chegar a R$ 50 mil. ''O Sella não gostou desse valor porque a CMTU não tem esse dinheiro mas ainda não conversei com ele e isso não é a posição oficial'', observou, se referindo ao presidente da CMTU, Wilson Sella. A vereadora Sandra Graça (PDT) disse que essa questão pode ser resolvida deslocando recursos de outra secretaria.
Paralelamente, estudantes de arquitetura da Universidade Estadual de Londrina (UEL) desenvolvem um projeto para os carrinhos que serão usados pelos vendedores. Segundo Xavier, entre os dias 16 e 20 deste mês eles vão conversar com os vendedores porque cada carrinho será feito com base na atividade desenvolvida. A professora da UEL, Irene Popper, disse que até o fim do mês o projeto deve estar concluído. Ela será a responsável pelo treinamento de higiene e manuseio dos alimentos.
De acordo com o chefe da Vigilância Sanitária, Marcelo Viana de Castro, somente após a conclusão do projeto é que será emitido um parecer autorizando ou não a volta dos vendedores. ''Tem que ter lugar para conservação dos alimentos refrigerados e proteção no carrinho para a poluição'', exemplificou. Mas ele disse que até meados de julho deve ter o parecer final.
Os vendedores querem retornar para seus pontos antigos em volta do terminal porque afirmam que lá as vendas eram bem maiores. Eles foram retirados do local para que a CMTU realizasse a reforma.
Os fornecedores também se queixam da queda na comercialização de produtos para lanches. Marcos Ferreira da Silva, proprietário do Ponto Doce, afirmou que o movimento diminuiu entre 15 e 20%. Fernando Fábio Freire, proprietário da Nova Casa do Lancheiro, declarou que teve que demitir dois funcionários em virtude da diminuição nas vendas. ''Caiu bastante, entre 30 e 40%, porque eles vendiam bem.''


