'Possessões' são conceitos superados
O tema exorcismo não é unanimidade entre membros da Igreja Católica ou estudiosos de religião. Para Cesar Kuzma, diretor do curso de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), o assunto é caso superado para a teologia e em grande parte para a Igreja Católica e demais igrejas cristãs. ''Sei que ainda hoje algumas igrejas cristãs e alguns movimentos da Católicos persistem em tal prática e insistem com seus argumentos. No entanto, eu, em minha opinião, vejo que isso já é algo superado.''
Ele argumenta que referências bíblicas ou na tradição da Igreja Católica devem ser vistos dentro de um contexto de época. ''Refiro-me aqui ao período contemporâneo de Jesus e o caminhar da história até a Idade Média e princípios da era moderna. É possível que Jesus também tenha entendido que estava exorcizando, mas temos que ter em mente que ele estava inserido num contexto que não era um ser isolado do mundo, mas influenciado por ele.''
Kuzma explica que a teologia tem a responsabilidade para com a Igreja de educar - e reeducar - em alguns conceitos. ''Muitos dos fenômenos tidos hoje como 'paranormais', como 'possessão demoníaca', podem ser compreendidos através de outros elementos psicológicos, antropológicos, científicos, sociais e culturais''.
Os ''transtornos'' da vida moderna podem levar muitos a uma fuga da realidade. ''Muitas vezes procuram algo, uma resposta, um sentido e não encontram. Isso talvez explique alguns eventos que ocorrem hoje. Não os vejo como possessões, para mim isso é algo superado. Forçar a isso pode levar ao fundamentalismo e ao fanatismo, ambos ruins para a religião e para a sociedade'', diz.
O teólogo defende que a mensagem de Jesus Cristo que deve vigorar nas igrejas cristãs é a do seu evangelho. ''Este é o pano de fundo da questão. É por aí que devemos entender aqueles 'exorcismos' e não num sentido figurativo demoníaco e paranormal.'' (D.R./Colaborou Marcela Rocha Mendes)





