Posseiros ocupam reserva com violência
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segunda-feira, 14 de julho de 1997
Luciane Tonon Redação 
A reserva indígena Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra (95 quilômetros ao sul de Londrina), foi invadida por 12 famílias de posseiros na madrugada de anteontem. À tarde, dez posseiros armados cercaram o Fusca do ex-cacique João Maria Rodrigues (Tapixi), balearam o carro e atearam fogo na casa dele, que também serve de posto de fiscalização da Funai. Tapixi e a família tiveram que fugir. O cacique Elasmo Rael e os índios Cleonilson Lourenço e Aníbal Vicente foram mantidos como reféns durante quase quatro horas.
A invasão retomou um conflito histórico na reserva. No ano passado, a área foi invadida quatro vezes. Para o chefe do posto da Fundação Nacional do Índio - Funai, Luiz Alan Juvêncio (o Vãn-Fly), os posseiros querem ganhar as terras na ignorância. Se eles provarem com documentos que as terras são deles, nós índios deixaremos o local. Só não podemos continuar sofrendo este tipo de violência, como se isso fosse resolver, afirmou. Segundo Juvêncio, há quatro meses teve outro conflito parecido. O pedido de reintegração de posse deverá ser liberado ainda hoje.
O incidente começou por volta das 15 horas, quando o índio João Maria Tapixi retornava para casa. Horas antes do ocorrido, Tapixi, Juvêncio e o cacique Elasmo Rael haviam sido ameaçados de morte. Segundo Tapixi, quando estava a 20 metros de sua residência, foi cercado por 10 homens armados com revólveres e espingardas. Furei o bloqueio e mesmo levando tiros, consegui chegar em casa. Mandei minha famÍlia fugir pela janela, contou em seu depoimento.
Segundo ele, ainda estavam na casa o genro dele, Antônio Moraes, e o cacique Rael. Moraes e Tapixi fugiram para o mato e somente o cacique permaneceu na casa. Ele foi tirado à força e em seguida atearam fogo em tudo. Só ficamos com a roupa do corpo, completa Tapixi.
As 56 famílias da reserva viveram momentos de tensão. Não sabemos porque os posseiros insistem tanto nestas terras, que por mais de três gerações são indígenas, disse o índio Ildo Ferreira. A casa do índio Tapixi tinha sido construída há três meses, através de um acordo firmado entre Funai, Incra e Governo Estadual.


