Posseiros ameaçam invadir Ilha Grande
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segunda-feira, 29 de outubro de 2001
Vânia Moreira <br>Enviada a Vila Alta 
Ilhéus retirados do Parque Nacional de Ilha Grande, no Noroeste do Estado, ameaçam invadir as áreas se o Ministério do Meio Ambiente não agilizar o pagamento das indenizações. Quase 50 famílias foram removidas das ilhas no ano passado e assentadas na Vila Rural de Vila Alta (74 quilômetros a noroeste de Umuarama), com a promessa de que as indenizações começariam a ser pagas no início deste ano. Mas o governo federal alega não ter recursos para fazer os pagamentos. A direção do Parque Nacional de Ilha Grande pediu à superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e de Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no Paraná, reforço na fiscalização. A Polícia Federal de Guaíra também vai acompanhar a movimentação na região.
Os ilhéus alegam que estão passando necessidade e querem voltar para as ilhas, onde plantavam e pescavam para sobreviver. Segundo o líder em Vila Alta, Ailto Pereira, todos os posseiros vão voltar para as ilhas se não conseguirem marcar nos próximos dias uma audiência com o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, para terem uma previsão de pagamento. Pereira ainda mora em Ilha Grande e diz que só deixa o parque depois de receber a indenização pelos 10 hectares que possui. ''Muitos moradores ficaram com medo e saíram, agora estão arrependidos e querem voltar'', argumenta.
Ex-moradores das ilhas que ganharam casas na Vila Rural de Vila alegam que não conseguem produzir sem investir no solo, situação inversa do que acontecia onde viviam, onde bastava plantar. A maioria está trabalhando de diarista ou bóia-fria para sobreviver. Maria de Lourdes Martins, 49 anos, diz ter perdido todo o feijão cultivado nos 5 mil metros que ganhou na Vila Rural. O marido dela, José Rodrigues dos Santos, 64 anos, continua na posse em Ilha Grande, mas reclama das restrições. ''Não podemos mais ter criações nem fazer roça.'' Mais de 600 donos de posses e títulos nas ilhas fizeram cadastramento junto ao Ibama no ano passado, para receber as indenizações. O pagamento está previsto no orçamento do órgão, mas por enquanto não há dinheiro.
Segundo a diretora do parque, Maude Nancy Motta, o Ibama estaria tentando agilizar as indenizações, embora tenha prazo até 2002 para pagá-las. O parque foi criado em setembro de 1997. Segundo Maude, os ex-moradores estão sendo incentivados a invadi-lo por grupos que teriam interesse em se beneficiar das indenizações, como advogados e fazendeiros. O Ibama deve decidir hoje se manda reforço para proteger o parque.


