Adotar um animal requer um gesto de amor e muita responsabilidade, ainda mais quando este novo integrante da família necessita de uma maior dedicação. Assumir a posse responsável de um cão especial, seja ele, mais velho, com alguma deficiência ou mesmo mutilado poderia significar uma grande dor de cabeça para algumas pessoas, mas não para a nutricionista Angelina Carr, que não pensou duas vezes quando conheceu Piti.
A cadela, hoje com um ano, foi encontrada pelo ONG SOS Vida Animal, quando ainda era filhote. Ela, a mãe e seus oito irmãos foram abandonados pelo dono. Devido a uma mordida de um cão maior, Piti sofreu um grave ferimento no olho direito e quase perdeu o globo ocular, se não fosse os cuidados de Angelina.
''Uma amiga pediu para que eu cuidasse de Piti por alguns dias, enquanto ela se recuperava. Eu precisava pingar colírio no olho dela de três em três horas'', contou a nutricionista. ''Foram passando os dias e eu fui me apegando cada vez mais a ela, até que decidi ficar definitivamente com Piti.''
Segundo Angelina, mesmo com os cuidados, a cadela acabou perdendo a visão do olho direito, o que não a impediu de ser uma vira-lata muito ativa e brincalhona. ''A Piti é muito arteira e carinhosa, não para um minuto. Eu até fiquei preocupada quando a trouxe para casa, com medo que a minha outra cadela, a Jade, não se desse bem com ela, mas as duas se adoram'', detalhou.
A nutricionista complementa que Jade, da raça Weimaraner, hoje com sete anos, foi comprada em um pet shop. Até adotar Piti não imaginava que um cão vira-lata pudesse trazer tanta alegria para sua vida. ''Os vira-latas têm uma capacidade enorme de amar e de também se doar ao dono. O carinho da Piti me deixa muito feliz.''
Apesar da história de Piti ter tido um final feliz, nem todos os animais abandonados nas ruas diariamente têm a mesma sorte. De acordo com o presidente da ONG SOS Vida Animal, Milton Pavan, são abandonados todos os dias dezenas de cachorros em Londrina.
A ONG atua há 22 anos na cidade e atualmente atende 180 animais, sendo que pelo menos 30 deles são especiais. ''É difícil encontrarmos pessoas que se interessem por esses animais mutilados. O desinteresse é maior ainda quando estes animais são mais velhos'', avaliou. ''Isso se deve ao fato de que muitos não têm mais a mesma energia para brincar e passear, como os filhotes.''
Serviço - Mais informações sobre a ONG no site www.sosvidanimal.org.br

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