No Brasil desde 64, Tonhão (foto), nascido em Trás-os-Montes, inicialmente caixeiro-viajante e no rádio há 20 anos, se classifica como gaúcho de verdade. ‘‘Talvez mais que muitos que o são de nascimento, porque eu sou por opção’’. Ele diz que ‘‘gaúcho é estado de espírito, porque significa valorizar a cultura, as tradições, e exemplos magníficos da história do País’’. Antonio Carlos Garnacho, que vê muita semelhança entre a música gaúcha e a de raízes de Portugal.
Além de farta literatura, tem uma discoteca com 1,2 mil discos que utiliza para fazer, pessoalmente, a seleção que toca nos programas. ‘‘Não toco coisa de quem não faz boa letra e não capricha no arranjo’’, afirma. Sua preferência vai para a linha, entre outros, de Mano Lima, Adair de Freitas, Rui Biriva, Telmo de Lima Freitas, Elton Saldanha e César Passarinho. ‘‘Segura o Tch꒒ (paródia do ‘‘Segura o Tchan’’), do Gaúcho da Fronteira, não faz parte da coleção de discos. De Teixeirinha ou Gildo de Freitas, só o melhor.
Tonhão consegue fazer um programa típico de AM em FM. Como conseguiu dar qualidade ao ‘‘Musicando o Rio Grande’’, seu público é tanto de gaúchos, quanto de pessoas de outras ‘‘nacionalidades’’.
Arrumar patrocinador é uma preocupação permanente. ‘‘Muitos gostam que você toque porcarias, daquelas que agradam gente que não tem gosto apurado’’.
O apresentador segue à risca orientações do Movimento Tradicionalista Gaúcho, e não despreza a bombacha e o lenço no pescoço. Na programação, intercala músicas com informação sobre a cultura gaúcha, ‘‘traduzindo’’ expressões típicas que aparecem nas letras nativistas. Ele não incorporou sotaque gaúcho, porque o português permanece arraigado. ‘‘Mas no resto, sou gaúcho por inteiro’’.

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