Silvana Porto
De Paranavaí
Especial para a Folha
Depois dos dekasseguis (descendentes de japoneses) que esvaziaram cidades em várias regiões do Paraná para trabalhar no Japão, os moradores da região de Paranavaí elegeram agora Portugal como a terra da oportunidade. Apenas uma agência de turismo da cidade já enviou mais de 100 pessoas da região para Lisboa e cidades próximas nos últimos 60 dias. Todos enfrentam risco de deportação e partem conscientes para enfrentar funções sem qualificação. ‘‘São trabalhos pesados, com ganho entre R$ 1,5 mil a R$ 1,7 mil’’, revela Valmir Trentini, sócio da agência de viagens.
O número de pessoas interessadas em informações é tão grande que Trentini tem promovido reuniões diárias, com média de 20 pessoas cada, para tirar dúvidas sobre as condições de trabalho em Portugal. ‘‘Pelo menos 40% das pessoas que buscam informações acabam partindo’’, estima. Algumas, segundo Trentini, entram como turistas e, se estiverem trabalhando, até conseguem declaração de que vão a serviço. ‘‘Parte já sai do Brasil com emprego certo, inclusive com declaração aprovada pelo Consulado’’, afirmou.
Trentini afirma que sua agência não organiza empreitas de trabalho em Portugal, mas em alguns casos conseguiu apoio através de um contato que tem em Lisboa. ‘‘Trata-se de uma pessoa daqui que mora lá e se dispõe a ajudar, cobrando US$ 200 dos interessados. Essa pessoa tem conseguido empregar os que vão sem uma colocação definida’’, disse. ‘‘Só não trabalha quem não quer.’’
Nas reuniões que faz com os interessados, Trentini deixa claro os riscos de deportação. No desembarque, alguns passageiros são escolhidos por amostragem pela Imigração. Na entrevista, o passageiro que não tem a documentação para o trabalho deve convencer as autoridades de que está a passeio. Das mais de 100 pessoas embarcadas pela agência de Trentini, apenas três passaram pela entrevista da Imigração. Todas foram deportadas. ‘‘Porque não conseguiram convencer as autoridades’’, arriscou.
O dono de outra agência de Paranavaí, Mauro De Vitro, diz que recebe consulta de cinco a seis interessados por dia. ‘‘São desempregados, quase sempre sem qualificação’’, disse. Ele aconselha as pessoas a não vender os bens no Brasil para arriscar uma oportunidade em outro país. ‘‘Principalmente se não tiverem um contato por lᒒ. Segundo De Vitro, as autoriades portuguesas estão preocupadas com a questão social, e o grande número de pessoas que chegam no país chamou atenção, ampliando o risco de deportação.

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