Portões do HU são abertos e servidores protestam
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2002
Silvana Leão Reportagem Local 
Os portões do Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) de Londrina foram abertos ontem de manhã pelos dois oficiais de justiça encarregados de cumprir liminar concedida anteontem à tarde pelo juiz da 10ª Vara Cível, Luiz Gonzaga Tucunduva de Moura. A liminar determina a liberação imediata dos portões do HU e do Hospital de Clínicas (HC) para atendimento aos pacientes e o restabelecimento dos serviços no prazo de 24 horas contadas a partir da notificação. Os servidores, em greve há 131 dias, receberam a notificação e não se opuseram à abertura dos portões, mas mantiveram a paralisação. Além da UEL, paralisaram as atividades, servidores das universidades de Maringá (UEM) e de Cascavel (Unioeste).
A greve continua. Vamos discutir se cumprimos ou não a decisão judicial em assembléia que será realizada amanhã (hoje) cedo. Porém, do ponto de vista jurídico, já entramos com pedido de reconsideração e suspensão da liminar, explicou a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Londrina (SinSaúde), Ana Maria da Cruz.
A sindicalista explicou que o principal argumento dos servidores é que durante todo o tempo as determinações da lei de greve foram respeitadas. Estamos mantendo até mais do que o mínimo de 30% de funcionamento dos setores essenciais. Não há por que sermos penalizados pela lei. Ela pediu para que a população não procure atendimento no HU. Até ontem, no início da noite, a situação no hospital era tranquila.
No momento da abertura dos portões do HU, por volta das 9h30, os servidores viraram-se de costas e cantaram o hino nacional. Depois de notificar a direção do SinSaúde, os oficiais de justiça foram até a administração da UEL, onde o reitor Pedro Gordan já estava reunido com o diretor superintendente do HU, Claudio Camacho; com o diretor clínico do hospital, SYlvio Villari; com a vice-reitora Vera Suguihiro e com o assessor jurídico da UEL, Gilbert Garcia, discutindo a decisão judicial.
Após assinar a notificação, o reitor disse que todas as providências iniciais para cumprir a ordem judicial estavam sendo tomadas, mas que a metodologia a ser usada ainda estava em discussão. É impossível colocar uma estrutura como a do HU para funcionar de um dia para o outro. Esta é a hora do bom-senso, de tentar evitar confrontos, principalmente entre o comando de greve e a população.
No final da manhã, o grupo que participou da reunião na reitoria foi até o Fórum conversar com o promotor Bruno Galatti, que responde interinamente pela promotoria de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais. A liminar concedida pela justiça é resultado de ação proposta por Galatti.
Segundo Camacho, o promotor entendeu as dificuldades em retomar rapidamente os serviços no HU e no HC e concedeu um prazo de cerca de dez dias para que as atividade do HC sejam retomadas. O hospital trabalha com consultas marcadas com antecedência e a agenda terá que ser refeita. No HU a expectativa da direção é que o atendimento seja retomado com maior rapidez, mas ainda não há previsão de quanto tempo será necessário para voltar a atender com toda sua capacidade.
Dorico da Silva


