Os portões do Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) de Londrina foram abertos ontem de manhã pelos dois oficiais de justiça encarregados de cumprir liminar concedida anteontem à tarde pelo juiz da 10ª Vara Cível, Luiz Gonzaga Tucunduva de Moura. A liminar determina a liberação imediata dos portões do HU e do Hospital de Clínicas (HC) para atendimento aos pacientes e o restabelecimento dos serviços no prazo de 24 horas contadas a partir da notificação. Os servidores, em greve há 131 dias, receberam a notificação e não se opuseram à abertura dos portões, mas mantiveram a paralisação. Além da UEL, paralisaram as atividades, servidores das universidades de Maringá (UEM) e de Cascavel (Unioeste).
‘‘A greve continua. Vamos discutir se cumprimos ou não a decisão judicial em assembléia que será realizada amanhã (hoje) cedo. Porém, do ponto de vista jurídico, já entramos com pedido de reconsideração e suspensão da liminar’’, explicou a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Londrina (SinSaúde), Ana Maria da Cruz.
A sindicalista explicou que o principal argumento dos servidores é que durante todo o tempo as determinações da lei de greve foram respeitadas. ‘‘Estamos mantendo até mais do que o mínimo de 30% de funcionamento dos setores essenciais. Não há por que sermos penalizados pela lei.’’ Ela pediu para que a população não procure atendimento no HU. Até ontem, no início da noite, a situação no hospital era tranquila.
No momento da abertura dos portões do HU, por volta das 9h30, os servidores viraram-se de costas e cantaram o hino nacional. Depois de notificar a direção do SinSaúde, os oficiais de justiça foram até a administração da UEL, onde o reitor Pedro Gordan já estava reunido com o diretor superintendente do HU, Claudio Camacho; com o diretor clínico do hospital, SYlvio Villari; com a vice-reitora Vera Suguihiro e com o assessor jurídico da UEL, Gilbert Garcia, discutindo a decisão judicial.
Após assinar a notificação, o reitor disse que todas as providências iniciais para cumprir a ordem judicial estavam sendo tomadas, mas que a metodologia a ser usada ainda estava em discussão. ‘‘É impossível colocar uma estrutura como a do HU para funcionar de um dia para o outro. Esta é a hora do bom-senso, de tentar evitar confrontos, principalmente entre o comando de greve e a população.’’
No final da manhã, o grupo que participou da reunião na reitoria foi até o Fórum conversar com o promotor Bruno Galatti, que responde interinamente pela promotoria de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais. A liminar concedida pela justiça é resultado de ação proposta por Galatti.
Segundo Camacho, o promotor entendeu as dificuldades em retomar rapidamente os serviços no HU e no HC e concedeu um prazo de cerca de dez dias para que as atividade do HC sejam retomadas. O hospital trabalha com consultas marcadas com antecedência e a agenda terá que ser refeita. No HU a expectativa da direção é que o atendimento seja retomado com maior rapidez, mas ainda não há previsão de quanto tempo será necessário para voltar a atender com toda sua capacidade.

Dorico da Silva

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