Portões de escolas custam R$ 2 milhões
Especial para a Folha
O governo do Estado está gastando R$ 1,93 milhão com a construção de portais que identificam as 228 escolas que estão recebendo laboratórios de informática. Os recursos são do Programa de Expansão, Melhoria e Inovação do Ensino Médio (Proem). A planilha de custo foi distribuída pelo Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom) para as empresas que entraram nas licitações das obras, e previu um custo médio de R$ 8,5 mil para cada portal. Mesmo exigindo um investimento alto, os portais são considerados inseguros. Tanto que algumas escolas resolveram reformar os portões para reforçá-los.
O engenheiro civil Jorge Enomoto, que ganhou a licitação em dois colégios de Assis Chateaubriand (72 ao norte de Cascavel), diz que a estrutura da parede e as colunas, que ficam no meio do portal, encarecem a obra. A parede é alta, com 7 metros, e é solta, ou seja, não tem ligação com nenhuma outra estrutura. Para ficar em pé e aguentar a ação do vento, é preciso reforçar a sua estrutura e fundações, explica o engenheiro. A construção do muro e posterior pintura com tinta látex custa R$ 2,83 mil. Segundo o construtor, as colunas redondas precisam de formas especiais e as aberturas - dois quadrados - no meio da alvenaria, com pastilhas cerâmicas, são detalhes que encarecem a obra.
A coordenadora do Proem, Roberta Braga, diz que o objetivo do portal é ser uma referência do laboratório de informática e aproximar a comunidade da escola. A população vai poder usar o laboratório. Por isso criamos essa entrada que é independente do portão da escola, explica. Ela acha que é errado discutir a construção do portal agora que o projeto já está no final.
Na opinião do empresário Júlio César Zeni, da Engecon Construção e Empreendimento, que executou obras em cinco escolas, o portal não tem função nenhuma para a escola. Ele é apenas um enfeite. O dinheiro poderia ser usado para outras benfeitorias no próprio colégio, diz. Segundo os construtores entrevistados pela Folha, com R$ 8,5 mil seria possível construir uma sala de aula. Um portão comum de escola custa R$ 1 mil.
Algumas colégios, como o Leôncio Correia e Algacir Maeder, modificaram os portões por motivo de segurança. A grade era muito baixa e fácil de pular, explica Ivo Pitz, diretor da Leôncio Correia. Eles pediram autorização para a Secretaria de Estado da Educação e colocaram um portão com chapas de ferro que cobrem todo o vão central do portal. A diferença foi paga com recursos da Associação de Pais e Mestres (APM), que juntaram o dinheiro com a venda da cantina e constribuições de pais.





