Porto Figueira é nova rota do tráfico
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quinta-feira, 31 de agosto de 2000
Vânia Moreira Enviada a Vila Alta 
Porto Figueira, Rio Paraná, no município de Vila Alta (74 km a noroeste de Umuarama), se transformou numa das principais portas de entrada de drogas, contrabando e passagem de carros roubados no Paraná. São mais de 200 quilômetros de estradas e rodovias que dão acesso a Mato Grosso do Sul e ao Paraguai sem nenhum posto da Polícia Rodoviária.
Os comandos das polícias Civil e Militar de Vila Alta são acusados de cooperar com o crime organizado, facilitando a passagem de drogas e veículos roubados pelo porto. A Polícia Militar designou 10 homens do Serviço de Inteligência para fiscalizar as estradas da região. Em 15 dias de trabalho, os PMs já apreenderam quase 300 toneladas de maconha, prenderam oito traficantes e interceptaram um carro que estava sendo levado para o Paraguai. O dono do veículo tentava aplicar o golpe do seguro.
A rota foi descoberta há quatro meses, depois da prisão do delegado Mauro Dias e do sargento Nilson Bastos, então comandante do destacamento da PM de Vila Alta. Os dois estão presos em Campo Grande acusados de envolvimento com o tráfico de drogas e roubo de carros. A PM estima que toneladas de drogas e centenas de carros roubados tenham passado por Porto Figueira nos últimos cinco anos, sem que a Polícia fizesse nenhuma apreensão.
A situação estava feia por aqui, disse o comandante da operação, primeiro-tenente Dirceu Kosloski. Durante uma blitz, quarta-feira, na entrada de Porto Figueira, os policiais prenderam dois rapazes com quase três quilos de maconha numa mochila. Os rapazes estavam a pé, viram os policiais e não se intimidaram. Passaram pelo local em direção à rodovia, onde pretendiam pedir carona. Os dois vinham de um assentamento de sem-terra em Itaquiraí (MS). Na terça-feira, os PMs já haviam apreendido 62 quilos de maconha e prendido quatro acusados de tráfico.
Cerca de 100 veículos passam diariamente por Porto Figueira. São mais de 60 quilômetros de estrada de terra entre o porto e Itaquiraí (MS), dos quais 25 quilômetros dentro da Ilha Grande, a maior do conjunto de ilhas que formam o Parque Nacional de Ilha Grande. Duas balsas fazem a travessia, uma em Porto Figueira e a outra em Porto Santo Antônio, em Itaquiraí. Para cruzar a divisa pela ponte em Guaíra, é preciso rodar 100 quilômetros a mais. Itaquaraí fica a menos de 100 quilômetros da fronteira seca entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai.
Não existe controle do tráfego de veículos na região do Parque Nacional. Quem entra no Paraná por Porto Figueira pode ir até Umuarama ou Paranavaí sem ter que passar por nenhuma barreira policial. O destacamento Vila Alta tem apenas quatro policiais militares. Segundo Kosloski, o Serviço de Inteligência vai permanecer na região por tempo indeterminado para coibir o tráfico e roubo de carros. A PM também adotou um esquema de rodízio para os policiais que trabalham em Vila Alta para evitar corrupção. A equipe vai ser substituída a cada 15 dias.


