Porto Amazonas pede justiça pela morte de Rafaeli
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domingo, 20 de julho de 2008
Carolina Gabardo Belo<br> Equipe da Folha 
Porto Amazonas - Mais uma vez, o município de Porto Amazonas (51 km ao sul de Ponta Grossa) se calou. Uma semana após a morte da jovem Rafaeli Ramos, de 21 anos, em uma abordagem policial desastrosa, familiares, amigos e moradores fizeram na tarde de ontem uma passeata silenciosa pela cidade. ''Estamos aqui para pedirmos justiça e muita paz, para que isso não aconteça mais com outras famílias e ninguém passe o que estamos passando'', disse a mãe da jovem, Tereza de Jesus Ramos Lima.
Antes passeata, carros com balões brancos passaram pelas ruas do município. Logo depois, cerca de 350 pessoas se reuniram na praça central da cidade e seguiram em uma caminhada, com várias faixas e cartazes com pedidos de justiça. O silêncio só foi rompido com uma oração em memória à jovem, no local onde ocorreu a abordagem.
Entre os manifestantes estava a família do menino Jonathan Passoni, 9 anos, que morreu atropelado, em novembro de 2007, um motorista alcoolizado. ''Este é um dia muito importante, temos que tentar justiça, que seja feita alguma coisa. Na morte do meu filho, pedi justiça e ninguém quis me atender. Até hoje ninguém fez nada'', contou o pai do garoto, Joel Antônio Passoni.
De lá, os manifestantes levaram o pedido de paz e justiça à delegacia de Porto Amazonas, onde novamente fizeram uma oração. ''Quero que os policiais paguem pelo crime que cometeram, que sejam presos como qualquer outro criminoso'', afirmou emocionado o pai de Rafaeli, Jociel Alvelino Machado. Os pais da jovem contaram que foram procurados pelo comando da polícia para receberem um pedido de desculpas, mas não aceitaram. ''Não quero desculpas, quero melhoria na polícia'', disse Machado. ''Só quem vai desculpar é Deus'', completou Tereza. Eles ainda afirmaram que só voltarão a acreditar na polícia se os responsáveis forem condenados.
No último dia 13, Rafaeli foi morta com um tiro na cabeça, durante uma abordagem policial, quando o carro onde estava foi confundido com um veículo utilizado por contrabandistas. Os dois policiais envolvidos no crime estão detidos no 1º Batalhão de Ponta Grossa e prestaram depoimento na semana passada. A Justiça Militar negou o pedido de prisão dos policiais militares. Nesta semana, as outras equipes que deram apoio à operação irão prestar depoimento na delegacia de Palmeira (40 km ao sul de Ponta Grossa).


