Porteiro recebe arroz com caruncho
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terça-feira, 13 de março de 2007
Fábio Cavazotti<BR>Reportagem Local 
Um pacote de arroz de 5 kg recebido junto com a cesta básica por um porteiro de prédio em Londrina gerou indignação em sua família. O motivo: estava repleto de carunchos - pequenos insetos que se alimentam de cereais. A embalagem do produto traz a dica do fabricante: recomenda-se não lavar.
O comerciante Aparecido dos Santos - sogro do porteiro -, ironizou. ''Já pensou se a gente não lavasse, ia comer estes bichinhos aí como se fosse tempero'', disse à FOLHA. De acordo com ele, a presença dos carunchos foi notada quando o arroz estava na panela para limpeza. ''Eles começaram a subir aos montes, logo vi o que era.''
Santos conversou com a reportagem porque o genro tem receio de ser despedido se levar o assunto a público. A família não soube informar o estabelecimento em que a cesta básica foi adquirida.
Segundo o comerciante, assim que o problema foi constatado, ele entrou em contato com o fabricante - a Indústria Zaeli, de Umuarama. ''Nós ligamos e eles disseram que a troca leva sete dias. E se a gente não tivesse como comprar outro arroz, como ia fazer?'', reclamou. Na Vigilância Sanitária, Santos foi informado de que somente com o nome do estabelecimento que revendeu o arroz é que poderiam ser tomadas providências - informação também desagradou o comerciante. ''Como é que meu genro vai perguntar para o síndico do prédio? É perigoso ele ser demitido'', alegou.
A Indústria Zaeli confirmou a reclamação, por meio do serviço de atendimento ao cliente, e disse que ainda estava no prazo para realizar a troca. De acordo com a empresa, nestes casos a matriz aciona o representante local para efetuar a substituição. ''A informação que temos é que caruncho não oferece risco. É comum aparecer em vários tipos de grãos durante o transporte ou armazenagem do produto'', afirmou a empresa
O coordenador da Vigilância Sanitária, Rogério Lampe, confirmou que sem o nome do estabelecimento que vendeu o arroz, fica difícil fazer alguma coisa. ''Nosso procedimento é vistoriar o mercado e verificar as condições. Caso esteja em ordem, a gente passa um ofício para a Vigilância Sanitária da cidade onde está a empresa e pedimos uma inspeção'', explicou. ''Mas, se não dá para verificar o supermercado, complica porque a gente pode estar passando uma denúncia sobre uma empresa que atende todas as suas obrigações.''


