Gilson AbreuFatalO ônibus do Expresso Azul rodou 50 metros sobre a calçada e ficou prensado entre uma árvore e o prédioUm ônibus metropolitano da empresa Expresso Azul, que faz a linha Curitiba-Vila Maria Antonieta (Pinhais), invadiu anteontem uma calçada e matou o porteiro de um prédio, por volta das 21h30, na Rua Nilo Cairo, esquina com a Rua Mariano Torres, centro de Curitiba. Pelo menos cinco pessoas estavam dentro do ônibus, mas nenhum passageiro ficou ferido. O motorista, Jurandir do Carmo de Oliveira, 41, fugiu do local e foi preso horas mais tarde, na sede da empresa em Pinhais. Oliveira foi autuado por omissão de socorro.
Segundo testemunhas, o ônibus vinha pela Nilo Cairo, e teve que desviar de um outro carro que furou o sinal na Mariano Torres. ‘‘Foi tudo muito rápido. Quando vi, tudo já tinha acontecido’’, contou a industriária Ana América Rodrigues, uma das passageiras do ônibus. Ela teve apenas escoriações no braço.
Ao desviar, o veículo subiu na calçada, derrubou um poste e uma árvore, e atropelou o porteiro do Edifício Ricardo, Edson de Paula Carvalho, 63 anos, que estava em frente ao prédio. O porteiro, que trabalhava no edifício há cerca de dez anos, onde morava com a filha e a mulher, tinha dificuldades de locomoção, e não conseguiu correr para fugir do acidente.
Carvalho acabou sendo prensado pelo ônibus, que ficou preso entre uma árvore e a marquise do prédio. Os bombeiros tiveram muita dificuldade e só conseguiram retirar o corpo do porteiro por volta das 23h30.
O ônibus também atingiu uma mesa do restaurante Julius que estava na calçada. As quatro pessoas que estavam na mesa conseguiram correr a tempo de escapar. O cartorário Elton Jorge Targa tomava chope com a namorada, o pai dela e um amigo, quando ouviu o estrondo da colisão entre o ônibus e o poste. ‘‘Ouvimos o barulho e só deu tempo de sair correndo. Segundos depois, vi a mesa esmigalhada debaixo do ônibus’’, descreveu ele.
A desenhista Michele Sallun, namorada de Elton, teve que comprar calmantes numa farmácia, depois do acidente. ‘‘Não sei como escapamos. Foi um grande susto’’, disse ela, ainda nervosa.
A colisão estremeceu todo o edifício, segundo moradores. O barulho da batida atraiu centenas de curiosos, que se aglomeraram em frente ao prédio após o acidente. A Polícia Militar interditou a Rua Nilo Cairo, entre a Mariano Torres e a Francisco Torres, durante a operação. O ônibus só foi retirado do local com a ajuda de dois guinchos, por volta da meia-noite, depois de várias tentativas dos bombeiros. As portas do edifício se quebraram com o impacto. Parte da calçada e da fachada do prédio foi destruída.
O ônibus tinha saído do terminal Guadalupe, no centro de Curitiba, e ia até Pinhais, município da Região Metropolitana. O percurso é feito em média em 40 minutos. O cobrador não quis se identificar. Limitou-se a dizer que ‘‘o motorista teve que desviar de um carro que cortou a frente dele, furando o sinal’’.
O cruzamento das ruas Nilo Cairo e Mariano Torres é um dos mais perigosos de Curitiba. Há cerca de um ano, uma placa foi colocada nessa esquina, comunicando que o cruzamento era o segundo em acidentes na cidade. Os moradores da região dizem que os acidentes no local são frequentes, pois os carros passam em alta velocidade e não respeitam os sinais. Moradores reclamam também que os semáforos do cruzamento não têm sincronia adequada - um sinal abre enquanto o outro muda do amarelo para o vermelho, e os motoristas não têm tempo de parar.

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