Porteiro devolve maleta perdida com R$ 6 mil
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domingo, 04 de dezembro de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Mensalão, dólar na cueca, propina, caixa dois. Se no meio político tudo leva a crer que o termo honestidade está em desuso, nas camadas mais pobres ela é ainda a maior virtude do ser humano. Prova disso está na atitude de Luiz da Silva, 49 anos, que encontrou dias atrás uma pasta com cerca de R$ 6 mil, talões de cheques, cartões de crédito e recibos somente assinados de dois veículos. O que ele fez? Devolveu a pasta intacta ao dono.
Porteiro de uma rede de atacado em Cambé, Silva encontrou a pasta dentro de um carrinho de compras que foi deixado no pátio do estabelecimento. Imediatamente, deduziu que o objeto poderia ser de algum cliente. Não pensou duas vezes ao constatar que havia muito dinheiro na bolsa e a levou para a recepção da loja. Lá, junto com a recepcionista, abriu a pasta para procurar um telefone de contato do dono.
Em nenhum momento pensei em pegar o dinheiro para mim. Prefiro dormir tranqüilo e ter minha consciência em paz, argumenta o porteiro, que ganha em torno de R$ 500, tem dois filhos e mora no Conjunto Maria Cecília, na Zona Norte de Londrina.
Nem sei quanto tinha de dinheiro porque não contei, mas percebi que era bastante. Logo que vi, procurei entregar para alguém do mercado que pudesse ligar para o dono, relata ele, que recebeu recompensa de R$ 100 e dividiu com a recepcionista. Ele disse nunca ter visto o cliente no local e não sabia, no momento em que achou a pasta, quem pudesse ser o dono. Entra muita gente aqui para fazer compras. O pátio é grande e há muitos carrinhos, qualquer pessoa podia ter encontrado a pasta, comenta ele.
Quando deu por falta da pasta, o dono, que prefere não ter o nome revelado na reportagem, recebeu uma ligação da telefonista dizendo que a bolsa havia sido encontrado. Foi um alívio porque tinha também muitos documentos e o recibo de dois carros somente assinados, conta.
As pessoas são honestas, com algumas exceções. Independentemente da classe social, se elas têm um salário bom ou não, a honestidade fala mais alto. Acho que essa atitude dele deve ser contada para outras pessoas. E, que pena, boa parte dos políticos não age assim, comenta, acrescentando que não é comum transportar quantidade grande de dinheiro na pasta, porém, naquele dia, havia feito algumas transações comerciais e por isso estava com o dinheiro ainda na bolsa.
Fazendo uma analogia, a atitude de Silva lembra a propaganda do governo que mostra caso semelhante, de seo Francisco, o brasileiro que encontra uma bolsa no banheiro de um aeroporto com US$ 10 mil dólares e a entrega à superintendência. Não há dúvida de que a virtude é um traço de caráter que é valorizado socialmente. E é a forma de agir que enobrece a pessoa, que a aperfeiçoa. Como ja dizia Aristóteles, a virtude é uma disposição adquirida de fazer o bem. E foi o que fez Luiz da Silva, brasileiro que não desiste nunca.


