Porteiro assinou papel em branco e agora deve R$ 9 mil de ICMS
Porteiro assinou papel em branco
e agora deve R$ 9 mil de ICMS
Ney de SouzaLuiz Ferreira da Silva suspeita que um antigo patrão o enganou: Fui envolvido de má-féValmir Denardin
Há um mês o porteiro Luiz Ferreira da Silva, de 32 anos, descobriu que é empresário. A empresa na qual seu nome consta como sócio é a Motossima Comércio de Móveis, uma das fantasmas que estão sendo investigadas pela Procuradoria do Estado.
A Motossima tem uma dívida de R$ 9.360,00 com a Receita Estadual, devido à sonegação de ICMS. Silva ganha R$ 300,00 por mês. Para pagar a dívida, teria que economizar todo o seu salário durante dois anos e sete meses. Seu único bem é um terreno de 200 metros quadrados - que vale, no máximo, R$ 4 mil.
A Folha obteve cópia do contrato social de abertura da empresa, em 20 de março de 1990. Ele aparece como sócio de Manoel Alves Peixoto, que afirma desconhecer. O capital social registrado da empresa era de 100 mil cruzeiros. O endereço (Rua Xavier da Silva, 584, Centro) não existe.
Em entrevista ontem pela manhã Silva disse que foi enganado por um ex-patrão e assinou um papel que teria sido usado para a abertura da empresa. Leia a seguir os principais trechos:
Folha - Quando o senhor soube que a empresa foi aberta em seu nome?
Luiz Ferreira da Silva - Foi há um mês, quando fui trocar o terreninho que tenho por uma casa de dois quartos. Na hora de assinar a escritura descobri que não poderia fazer a transferência por causa dessa dívida.
Folha - A assinatura que aparece no contrato da empresa é sua?
Silva - Com certeza é falsificada.
Folha - Como os falsificadores obtiveram seus dados pessoais?
Silva - Trabalhei durante 21 dias num hotel e, quando saí, o dono exigiu que eu assinasse um papel e reconhecesse firma para poder receber o pagamento. Vim da roça, não entendo dessas coisas.
Folha - O que o senhor espera agora?
Silva - Fui envolvido de má-fé. Nunca entrei numa delegacia. Espero que a Justiça me ajude a resolver isso.





