Porte de arma terá teste mais rigoroso
A Polícia Civil do Paraná definiu ontem parâmetros para avaliar candidatos ao porte de armas de fogo. Psicólogos, delegados e investigadores de Curitiba e das 20 sub-divisões policiais do Estado estabeleceram as formas de avaliação num documento, chamado de Carta de Curitiba, elaborado na sede da Divisão de Segurança e Informações (DSI), na capital.
Segundo o delegado da DSI, Newton Tadeu da Rocha, a Carta de Curitiba estabelece diretrizes que os profissionais do Estado devem seguir na hora de aplicar exames psicológicos e de proficiência (prática de tiro). Psicólogos da mesma cidade, às vezes, tinham procedimentos diferentes para avaliar um candidato, justificou.
A Carta de Curitiba padronizou, entre outras coisas, o teste de desenho como diagnóstico da personalidade e o da capacidade de transformar o pensamento em ação com agilidade. Pelo documento, os candidatos também estão obrigados a apresentar comprovante de emprego atualizado, atestado de antecedentes criminais e fotocópia legível do registro da arma.
O candidato passará ainda por uma prova teórica, com questões sobre noções elementares de segurança para o manuseio de arma de fogo e as implicações legais do uso indevido, e uma prova prática, com disparo de cinco projéteis.
A padronização deve diminuir ainda mais o número de portes de arma liberados, que caiu 33% de 1997 para cá. No ano passado foram emitidos 1,5 mil portes. Até outubro deste ano, foram cerca de mil emissões. Todos os portes devem ser renovados a cada 12 meses.
Segundo o delegado Cesar Augusto Abilhôa, titular da Delegacia de Explosivos, Armas e Munições, somente nos últimos 12 meses foram expedidos 27 mil portes no Paraná. O número é insignificante se comparado com o de armas registradas no Estado: 800 mil.
Na análise de Newton Rocha, a padronização deve aumentar o rigor dos exames. Para o cidadão de bem, vai permitir o uso da arma com bom senso. Para os marginais, os exames serão adotados com rigor maior, afirmou.
Para a psicóloga Kathia Nemeth Perez, de Londrina, a padronização diminui a subjetividade das avaliações. Segundo ela, na psicologia existem muitos instrumentos para fazer a avaliação dos candidatos, o que permite análises pouco objetivas. Os critérios adotados vão limitar os instrumentos usados pelos psicológos, independentemente de suas convicções individuais, afirmou.





