Portas provocam desentendimentos em agências
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de agosto de 1997
Luiz Taques 
Londrina
O Sindicato dos Bancários de Londrina vai lançar uma campanha de conscientização sobre o funcionamento das portas eletrônicas instaladas nas agências e postos de serviços bancários. Essa iniciativa é para evitar desentendimentos entre clientes e funcionários, explica Sílvio Fontoura, diretor do sindicato.
A campanha do sindicato visa evitar certos constrangimentos para os clientes, como o que passou a cantora Eliane Camargo, anteontem, na agência do Banco do Brasil da avenida Tiradentes. Fui lá para fazer um depósito e não consegui, diz ela. Eliane conta que possui uma conta em uma agência do Banco do Brasil, em São Paulo, que também possui porta eletrônica mas, lá, nunca teve problemas para entrar. E em todas as vezes eu estava com todos esses meus pertences dentro da bolsa, argumenta a cantora, que também é proprietária da casa de shows Viola de Ouro.
É que se o cliente estiver portando determinados tipos de objetos a porta trava automaticamente, impedindo que ele tenha acesso ao banco. Muitos não compreendem que essa porta é para a própria segurança dos que estão dentro da agência, seja cliente ou funcionário, salienta Sílvio Fontoura. Em Londrina, a lei 5.681, de janeiro de 1994, obriga os bancos a instalar portas eletrônicas nas agências.
O sindicalista Sílvio Fontoura informa que a porta eletrônica trava, por exemplo, se o cliente tentar passar com o aparelho de telefone celular. Eliane Camargo salienta que levava, além do dinheiro para o depósito e o celular, as suas jóias.
O que Eliane Camargo achou estranho foi o fato da porta travar, por duas vezes, mesmo depois que ela deixou o celular e as chaves na entrada do banco, como havia determinado o guarda.
Oferecemos a ela, como fazemos com todos os clientes, a opção de deixar a bolsa no guarda-volumes que existe na entrada do banco, observa o gerente de administração da agência do Banco do Brasil da avenida Tiradentes, Edson Ferreira. Mas essa não foi a primeira vez que a porta dessa agência travou comigo, ressalta a cantora.
Somente este ano, já ocorreram 10 assaltos a bancos em Londrina. Aqui na região Norte já foram 38, informa Sílvio Fontoura. O diretor do Sindicato dos Bancários lembra que recentemente, em Curitiba, a porta travou durante a passagem de um assaltante. Mas aí, ele abriu a bolsa e mostrou um molho de chaves para o guarda, que foi na dele e liberou a entrada; só que dentro da bolsa ele carregava um revólver, com o qual realizou o assalto.


