Das centenas de agrotóxicos utilizados nas lavouras, apenas 17 constam na Proposta de Revisão da Portaria nº 36 do Ministério da Saúde. A portaria estabelece as normas e o padrão de qualidade da água potável e determina o valor máximo de produtos químicos permitidos no volume de água destinada ao consumo humano. A própria Sanepar afirma que são cerca de 1,4 mil agrotóxicos utilizados e admite que a proposta de revisão da portaria apresentada pela Fundação Nacional de Saúde abrange uma quantidade ínfima dos produtos e libera outras com nível de toxidade semelhante.
A proposta de revisão foi publicada em Diário Oficial no dia 13 de outubro e a Fundação Nacional da Saúde determinou prazo de 30 dias – que vence na próxima segunda-feira – para o recebimento de críticas e sugestões. O Partido Verde de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, já apresentou pedido de alteração da proposta. O engenheiro agrônomo Reinaldo Onofre Skalisz, autor do pedido, explica que apesar de revisada, a portaria ainda não é suficiente para garantir o nível de potabilidade da água consumida.
O PV quer que a fundação altere o artigo que estabelece o nível permitido de agrotóxico na água e também que aumente a abrangência dos produtos. Skalisz diz que a contaminação da água por agrotóxicos é extremamente nociva. Ela pode acontecer quando o produto está sendo aplicado nas plantações e o vento o carrega até os rios; por meio da erosão; e pela ação do homem, que joga embalagens de agrotóxicos vazias dentro dos rios. Os riscos para quem bebe água contaminada dependem do nível de toxidade do produto, conforme explica o engenheiro agrônomo, mas os mais comuns são dor de cabeça, náuseas e tontura.
O gerente da unidade responsável pela análise da água da Sanepar, Carlos Eduardo Pierin, diz que a empresa também está participando da revisão da Portaria nº 36. Segundo ele, existe uma infinidade desses produtos no mercado e a cada dia são lançados pelo menos mais 30, não tem como controlar todos.

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