A Associação dos Portadores de Lesões por Esforços Repetitivos do Norte do Paraná (Ap-LER) apresentou ontem, ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e ao Conselho Regional de Medicina (CRM), pedidos de providências contra os ortopedistas Paulo Vinícius Lopes e Antônio Silvio Lopes. A Ap-LER alega que, nos últimos dois anos, 21 associados foram submetidos a avaliações dos dois médicos, que renderam laudos indicando que os pacientes poderiam continuar trabalhando em muitos casos, até mesmo para quadros clínicos avançados.
''Não estamos acusando ninguém de nada. O que nos incomoda é que esses laudos têm considerações finais muito parecidas, e são poucos os casos encaminhados pelo INSS a esses médicos em que os pacientes são vetados'', diz Rosilene Carvalho Ferreira, presidente da Ap-ler. Quando casos extremos de lesão de esforço repetitivo (LER) são encaminhados ao INSS, para eventuais pedidos de aposentadoria por invalidez, um perito faz uma avaliação inicial e decide se deve encaminhar o paciente a um especialista.
Paulo e Antônio Lopes prestavam atendimento terceirizado em ortopedia e preparavam laudos que, conforme explicou a Rosilene, ''dificilmente são contestados quando voltam para o INSS''. ''Existe aquele constrangimento de entrar em choque com a opinião de outro médico, quando o primeiro perito recebe o laudo'', disse Rosilene.
Porém, segundo ela, os danos de avaliações falhas podem ser muitos: trabalhadores com LER que são considerados aptos para voltarem ao trabalho podem ter suas lesões agravadas. ''Bancários e funcionários das áreas de telecomunicações, confecção, metalurgia e de supermercados são os mais atingidos'', afirmou Rosilene.
Andréa Galafassi Martim, que trabalha como caixa, passou por duas avaliações com os dois ortopedistas em março e agosto deste ano. Conta que foi considerada apta para continuar trabalhando, apesar de possuir LER desde 1996. ''Mas até tive sorte porque, quando o laudo voltou para o INSS, o perito contestou, disse que eu realmente não tinha condições. Por isso, ainda estou de licença'', contou Andréa.
Rosilene disse que não vê motivações suspeitas nas avaliações dos dois médicos e ressaltou que a associação apenas requer um esclarecimento.

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