Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Associação dos Portadores de Lesões por Esforços Repetitivos de Cascavel (AP-LER) está denunciando a falta de medidas preventivas nos estabelecimentos bancários como responsáveis pela maior parte dos casos da doença no Estado. A entidade cita o último levantamento oficial da Secretaria de Saúde para apontar que 54,4% dos 662 casos registrados LER estão entre bancários, quase 15% no Banestado.
A Folha procurou ontem, por telefone, a diretoria de Recursos Humanos do Banestado em Curitiba. A assessoria ficou de retornar a ligação ‘‘caso interessasse’’. Não houve retorno.
O presidente da AP-LER, Laerson Vidal Matias, 36 anos, funcionário do Banestado, protocolou na Procuradoria Regional do Trabalho, em Curitiba, denúncia de que os bancos, ‘‘principalmente o Banestado’’, não cumprem medidas obrigatórias ‘‘para resguardar os trabalhadores das lesões’’ (também classificadas como Dort - Distúrbio Ósteo-Muscular Relacionado ao Trabalho).
Segundo Laerson, doente há 18 anos, estatísticas mostram apenas casos que resultaram em Comunicação de Acidente do Trabalho ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). ‘‘Sabe-se que a maioria dos casos não é notificada’’, diz. Na denúncia, a AP-LER relata que os bancários são obrigados a ‘‘ritmo alucinante de trabalho e a extrapolar horários’’ em atividades repetitivas por causa da grande redução de funcionários nas agências.
A AP-LER vem denunciando ao Ministério Público do Trabalho cada uma das redes bancárias. ‘‘As autuações feitas por delegacias Regionais do Trabalho não têm surtido efeito’’, argumenta Laerson Matias. Segundo ele, as irregularidades ‘‘são facilmente constatáveis nas agências’’.
Em Cascavel, denúncias da AP-LER e outras entidades de trabalhadores à Procuradoria da República já resultaram no afastamento (pela Justiça Federal) do médico Yegor Moreira do cargo de supervisor regional de atividades previdenciárias do INSS.
Yegor, chefe de perícias, é acusado pela Procuradoria de improbidade administrativa. Ele teria negado sistematicamente o reconhecimento a casos LER/Dort, forçado alta médica de doentes, e patrocinado interesses privados.
Segundo o procurador Celso Antônio Três, Yegor exercia a função pública e ao mesmo tempo assessorava organizações privadas, nas quais há casos da doença, e seria responsável por altas a lesionados que recebiam auxílio-doença sem que estivessem recuperados e aptos ao trabalho.
Yegor nega as denúncias, afirmando que o vínculo entre os serviços público e privado não é vetado pelo INSS e não interfere em sua atuação no instituto. Yegor justifica ainda que não realiza perícias para o INSS, apenas repassa normas aos peritos e conferir laudos.
No entanto, a Folha obteve cópia de um de seus despachos, no qual desautoriza o cumprimento de atestado para afastamento do trabalho, fornecido por um médico por uma portadora da doença. Ela foi obrigada a voltar ao trabalho sob risco de demissão por abandono de emprego.

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