Portadores de glaucoma protestam
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Mais de cem pessoas portadoras de glaucoma participaram de um protesto ontem de manhã em Londrina, para reivindicar os medicamentos para o tratamento da doença. Os manifestantes reuniram-se na Concha Acústica (Centro) e, munidos de faixas e velas, caminharam até a 17 Regional de Saúde.
A reivindicação é antiga: desde o ano passado os glaucomatosos vêm cobrando do governo os colírios, necessários para controlar a doença e evitar uma perda gradativa da visão, que é irreversível. O Ministério Público, através de uma ação civil, conseguiu uma liminar liberando os medicamentos. Mas a medida foi revogada pelo Tribunal de Justiça. Ainda assim, a Secretaria de Estado da Saúde garantiu o fornecimento dos remédios.
Porém, os pacientes reclamam que os colírios não chegaram para todos, e o fornecimento tem sido irregular. ''Apenas 110 pessoas receberam o remédio, e no último lote só vieram os colírios mais baratos. Temos outras 300 pessoas cadastradas aguardando. Exigimos a compra imediata dos medicamentos'', reivindicou Luís Martins, um dos diretores da Associação pelos Direitos da Visão. Martins reclamou que a compra de um novo lote para atender mais pacientes está em andamento há meses, e ainda sem data definida para a sua conclusão.
Os manifestantes também reivindicaram a instalação de dois centros de referência para o tratamento do problema na cidade. ''Uma portaria federal de 18 de maio determina que os municípios de todo o país tenham um centro de referência, onde as pessoas teriam atendimento médico e a distribuição dos colírios, mas isso ainda não foi viabilizado aqui'', afirmou Maria Giselda de Lima, assistente social do MP.
Ao encontrar-se com os manifestantes, que aguardavam do lado de fora do prédio, o chefe da 17 Regional de Saúde, Adilson Castro, assegurou que não há como estimar um prazo para a compra dos medicamentos, já que é preciso cumprir todo um trâmite burocrático. Castro alegou ainda que quem parou o processo para o credencimanto dos centros de referência foi o próprio Ministério da Saúde. ''Mas estamos buscando uma alternativa para credenciar por meio do Estado pelo menos um centro desses na cidade. Esse credenciamento pode ser a solução mais rápida'', apontou, acrescentando que um superintendente da Secretaria de Saúde vem a Londrina na semana que vem para tratar do assunto.
Vigília
Os integrantes da Associação pelos Direitos da Visão deram um prazo de até 2 de agosto para receberem os novos medicamentos. Caso contrário, ameaçam fazer uma vigília permanente em frente à 17 Regional até a solução do problema.
Enquanto a questão não é resolvida, pessoas como a diarista Sueli Pinto Rosa precisam comprar mensalmente os colírios, temendo perder a visão. ''O meu problema está mais controlado, mas o da minha mãe não. E ela precisa de ajuda para comprar o remédio dela, que custa R$ 83,00'', comentou.
''A gente deixa de se alimentar melhor, de comprar roupa e de investir mais no estudo dos filhos para comprar os remédios'', revelou o mecânico industrial Pedro Francisco Sá. Ele lembrou que, sem o medicamento, a pressão ocular pode subir e até levar à cegueira. ''Ficando cega, a pessoa geraria um custo muito maior para o Estado, além de enfrentar várias limitações'', observa o mecânico, que gasta mensalmente R$ 183,00 com três colírios diferentes. ''Se o governo comprasse direto do laboratório, pagaria até 80% mais barato, nós usaríamos nosso dinheiro para comprar mais, e isso se reverteria em impostos. Aí sim o País estaria caminhando'', analisou.


