Ex-moradora de rua, portadora do vírus da Aids e ex-dependente de crack, Alyne Rosana de Lima de Oliveira, 22 anos, vivia sem esperanças. Mas uma casa popular trasformou a vida da mãe da pequena Ester Vitória, que completou dois meses ontem (24).

Em dezembro do ano passado, ela foi atendida pela Cohab (Companhia de Habitação Popular de Curitiba) com uma casa de dois quartos no bairro São Miguel, em Curitiba. Mudou-se com o marido Elias Santos de Oliveira, 31, e dois meses depois deu a luz a Ester.

Antes de se mudar, o casal vivia em uma moradia precária, na beira de um córrego, na Vila Nova Barigui. "O valetão transbordava com qualquer chuvinha. E aquela água suja me fazia muito mal. Como sou soropositivo, vivia doente, com herpes, infecção urinária e bronquite", conta. A filha nasceu sem o vírus e Alyne leva uma vida normal graças ao coquetel de medicamentos que toma para controlar a doença.

O marido é responsável pela única fonte de renda da família: R$ 545 mensais do Benefício de Prestação Continuada. Ele foi brutalmente espancado em 2007 ao defender a irmã de quatro homens que a assediavam numa festa. Na ocasião perdeu uma orelha, um olho e parte da mobilidade.

Vida dura
As dificuldades na vida de Alyne começaram muito antes de morar em beira de rio. As primeiras lembranças são de quando tinha cinco anos e vivia com o pai, a mãe, três irmãs e dois irmãos, no Fazendinha.

Caçula entre as mulheres, era abusada sexualmente pelo pai, que a ameaçava de morte caso contasse a alguém. "Doía muito. O dia que eu não aguentei mais fugi."

Durante três anos ela viveu na rua. Dormia embaixo de marquises, revirava lixo em busca de comida, mendigava e aprendeu a beber. Com oito anos, decidiu voltar para a casa, porém os abusos do pai continuaram e ela decidiu contar à mãe: "Ela não acreditou e colocou toda a culpa em mim", conta.

A situação melhorou quando os pais se separaram, mas com a morte da mãe, quando Alyne tinha 11 anos, a irmã mais velha tornou-se responsável pela família.

"Minha irmã me deixava sem comida e quando começou a me bater, resolvi fugir."
Com 12 anos, foi para a rua novamente e conheceu o crack. "Era uma vida miserável e a droga ajudava porque tirava a fome e fazia o pensamento ficar em branco. Quando percebi já estava viciada. E junto sempre bebida alcoólica", diz.

Com 15 anos, Alyne foi morar com uma tia no CIC. Foi nesse bairro que conheceu um rapaz, também alcoólatra e viciado em drogas, com quem se mudou para Guaratuba. "Ele passou a me bater, perdi um filho, minha vida virou um inferno e ainda fui contaminada com o HIV", relembra.

Mais uma vez ela saiu fugida. Voltou para a rua e foi parar em um albergue no Boqueirão. Ficava doente e nunca se curava, até que descobriu ser portadora do vírus.

Depois de tanta provação, é a nova casa que garante a segurança que a família necessita para levar a vida: "Às vezes eu nem acredito. Depois de tudo que eu passei, recebi um presente maravilhoso.Deus me abençoou com esta casa e minha vida mudou", resume Alyne.

Com informações da assessoria de comunicação da Prefeitura de Curitiba.

mockup