Portador de LER sofre dor e discriminação
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
A tarefa mais simples do cotidiano pode correr o risco de escapar ao controle das mãos. Basta qualquer pessoa se submeter a movimentos repetitivos diários e será uma forte candidata a ter LER (Lesões por Esforço Repetitivo) ou DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho).
O conjunto de doenças conhecidas pelas siglas atingem principalmente profissionais como bancários, digitadores, telefonistas e jornalistas. No Paraná, 8 mil pessoas são portadoras do conjunto de doenças que atacam músculos, nervos e tendões. As queixas mais comuns são de dores no punho, antebraço e na mão.
Além do comprometimento físico, que leva muitos trabalhadores à aposentadoria ainda na faixa etária produtiva, o portador sofre com a discriminação e prejuízos emocionais.
Para marcar o Dia Nacional de Prevenção à LER/DORT, a Associação dos Portadores de Lesões por Esforços Repetitivos - Norte Paraná (AP-LER) realizou ontem, das 10 às 15 horas, no Calçadão, em Frente ao Banco do Brasil, um trabalho de conscientização da população, com orientações e distribuição de panfletos.
Cerca de 80% dos portadores são mulheres. A explicação é o biotipo feminino mais suscetível às lesões pela repetição de movimentos, jornada de trabalho prolongada, má postura e uso de mobiliários ergonomicamente inadequados, entre outros fatores que podem levar à LER/DORT.
Rosilene Carvalho está na faixa etária de maior incidência da doença, entre pessoas de 25 a 45 anos de idade, e que, se não tivessem a doença, estariam em plena atividade profissional. Ex-bancária,aposentada há três anos devido à manifestação da doença na mão e no cotovelo, Rosilene relaciona um total de 22 pessoas em Londrina na lista de aposentadas pelas lesões.
''Outras 35 pessoas afastadas do trabalho pela doença conseguiram reabilitação do INSS, voltando a atividade profissional, com o remanejamento de função'', afirma Rosilene.
Na fase inicial, a LER/DORT é silenciosa e as dores são confundidas com uma simples dormência. ''Num segundo momento é preciso entrar com remédios e fisioterapia. Na terceira fase, a pessoa já tem alterações psicológicas porque está com os movimentos limitados, se sentindo excluída. No quarto estágio não tem retorno'', afirma Rosilene.
A prevenção pode ser feita com pausas de 10 minutos a cada hora no trabalho, com alongamentos. Outra dica importante é manter a postura correta, com o tronco apoiado no encosto da cadeira, formando um ângulo de 90 grau.


