Quando os moradores dos bairros que compõem o União da Vitória (Zona Sul de Londrina) ouvem a voz do radialista Oswaldo Santos, 46 anos, pelos alto-falantes instalados em cima da casa onde mora, já sabem que é hora de ficar por dentro das notícias da região. Responsável desde 2005 pela rádio ''Comunidade Novo Mundo'', ele utiliza os amplificadores para informar sobre os problemas, conquistas e o dia a dia da população.
Recados das escolas e creches, notícias da unidade básica de saúde, reclamações sobre lixo nas ruas ou mato excessivo nos terrenos, dicas de prevenção de doenças, a ameaça da dengue, denúncias sobre asfalto quebrado e orientações sobre economia de água são alguns dos temas abordados pelos noticiários que vão ao ar de segunda à sábado das 11 horas ao meio-dia, e das 17 às 18 horas.
Nesses dois momentos, a voz de Santos se torna absoluta nos bairros, como se fosse a ''consciência'' de uma população de quase 20 mil pessoas. ''Percebi que o pessoal precisava de informações e resolvi começar o serviço'', explicou ele, que já trabalhou como operador de som e locutor em várias rádios da cidade e também na Rodoviária de Londrina.
O resultado do trabalho é percebido nas benfeitorias conseguidas para a região. ''Mobilizei a comunidade em várias ocasiões. A própria prefeitura já tomou providências para resolver problemas do bairro depois que alguém ouviu as reclamações no programa'', contou.
A mais nova ''bandeira'' do radialista é a mudança do lugar onde será instalada a academia ao ar livre. ''No local escolhido vai haver muito vandalismo'', previu. A construção de um viaduto entre o União da Vitória e o Jamile Dequech é outra reivindicação recorrente na rádio de Santos, que costuma ligar os microfones fora de hora para dar avisos urgentes. ''Quando o pessoal ouve minha voz, já sabe que é emergência.''
A adesão dos moradores aos chamados do radialista fica evidente, também, nas muletas, cadeiras de rodas, roupas e calçados acumulados para doação na própria sede da rádio, que fica na casa de Santos. As pessoas necessitadas recorrem a ele para divulgar o que estão precisando e a comunidade, prontamente, responde com a entrega dos donativos.
O microfone fica aberto para artistas que queiram divulgar o trabalho e até mesmo políticos com boas propostas para os bairros da região. ''O problema é que eles só aparecem na hora da eleição'', brincou o comunicador, que só veta propagandas de bebidas e anúncios de eventos como bailes funks. ''Meu objetivo é divulgar coisas educativas'', justificou.
Ciente de que veicular notícias é uma tarefa de grande responsabilidade, preocupa-se em checar a veracidade das informações que chegam pelo telefone ou pessoalmente e nunca perde a hora de começar os programas. Nos bairros atingidos pela potência dos alto-falantes, a voz de Santos funciona como relógio. ''Ao meio-dia, as crianças sabem que é hora de ir para escola. Às cinco horas, quando começa o programa da tarde, as mães se preparam para buscar os filhos na creche.''
A ''rádio do Oswaldo'', como é conhecida pelos vizinhos, é a principal fonte de renda do radialista que, pai de três filhos de 17, 18 e 19 anos, ''todos trabalhadores'', sonha poder, um dia, levar sua mensagem pelas ondas de uma frequência de verdade.

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