Porta especial reduz número de assaltos
Telma Elorza
De Londrina
O Sindicato dos Bancários de Londrina divulgou ontem o balanço do número de assaltos a bancos na cidade e região em 1999. Pelos dados do sindicato, o saldo foi positivo já que, neste ano, foram registrados no Norte do Paraná 14 ocorrências contra 33 no ano passado. Em Londrina, foram registrados três assaltos a bancos contra 10 ocorrências em 1998.
Segundo o secretário-executivo e membro da comissão de segurança do sindicato, Paulo Lima, a queda nos números se deve à instalação de portas de segurança nas agências e postos de atendimento bancário. De acordo com ele, as portas inibem a ação de assaltantes. Em Londrina, algumas agências colocaram as portas e pararam de ser assaltadas. Antes eram três, quatro assaltos por mês, afirmou.
Lima diz que as Polícias Civil e Militar podem até não concordar com a opinião do Sindicato dos Bancários, mas garante que o equipamento foi o grande responsável pela redução dos roubos. É só notar que os grandes assaltos na cidade, este ano, foram realizados em outros segmentos, como supermercados e carros-fortes, aponta. Segundo ele, isto não significa que assaltantes deixaram de visar os bancos. Mas agora, eles têm que usar métodos mais sofisticados e profissionais, como sequestrar gerentes ou render todos os funcionários antes da abertura da agência. O risco para a população, porém, ficou bem menor, lembra.
Para Paulo Lima, a redução do número de assaltos é também uma vitória do Sindicato dos Bancários. Se não fosse o trabalho de pressão feito pelo sindicato nos últimos quatro anos, várias agências ainda não teriam instalados as portas, comemora. De acordo com ele, em 96, quando o equipamento era ainda novidade, ocorreram 49 assaltos na região, sendo que 25 deles em Londrina.
Foi naquele ano que o vigilante Marcos Antônio de Souza Leite ficou paraplégico durante um assalto à uma agência bancária. No ano seguinte, morreu um policial militar em um outro assalto. Se, na época, o equipamento já estivesse instalado, muita dor poderia ter sido poupada, aponta.
O quadro, porém, melhorou muito nos últimos anos. Segundo dados do sindicato, no final de 96, apenas 17 agências da sua base possuíam portas de segurança. Hoje, o número saltou para 77 pontos de atendimento bancário. Em Londrina, das 51 agências bancárias apenas 7 ainda não tem portas de segurança: quatro do Bradesco, duas do Unibanco e uma do HSBC. Segundo Paulo Lima, o custo do equipamento é pequeno comparado aos lucros dos bancos. Cada equipamento custa apenas R$ 7 mil, ressalta.
Os usuários dos bancos concordam com o sindicalista quando a questão é a porta de segurança. Embora ainda haja reclamações sobre o uso, principalmente quando as portas travam devido a presença de objetos metálicos, a maioria aprova o equipamento. É o caso da dona de casa Fabiane Diane da Silva, 21 anos. Segundo ela, a porta é um incômodo quando trava mas um mal necessário.
O aposentado Hélio de Alcântara, 61 anos, também acredita que as portas de segurança são importantes. Do jeito que a violência está hoje, com o grande número de assaltos, todos os bancos deveriam ter estas portas. Se há demora, em algumas horas, faz parte do processo. Melhor assim que ser assaltado, explica.
O office-boy Fernando Oliveira, 17 anos, também aponta a necessidade do equipamento. Ele diz que se sente mais seguro em agências que têm o equipamento instalado. Eu vou a vários bancos todos os dias e detesto ir naqueles que não tem. Parece que, de repente, vai entrar algum ladrão dando voz de assalto, afirma.





