A inclusão social de pessoas com necessidades diferenciadas, a discussão de questões de gênero e de assuntos que abordam a temática étnica e racial são assuntos que ganham cada vez mais espaço. Políticas governamentais são discutidas em diversos setores da sociedade. Para a professora doutora Silvana Aparecida Mariano, de Londrina, esses assuntos devem ser colocados em pauta dentro das salas de aula.
''Estes temas contribuem para dar uma melhor compreensão a respeito do sistema de desigualdade social que vigora no Brasil e no universo escolar. Além disso, estas temáticas ajudam a tornar a escola mais democrática, inclusiva e que tenha cultura de respeito às diferenças. Isso tem que ser absorvido pelo universo escolar'', disse.
Silvana coordena um grupo de trabalho que aborda este tema durante o I Congresso Nacional dos Colégios de Aplicação e da I Mostra de Práticas de Ensino de Estágio do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência e do Prodocência no Paraná. Os eventos acontecem na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e terminam hoje. Conforme Silvana, as questões étnico-raciais e de gênero devem incluir também os professores. ''Pesquisas mostram que estereótipos e preconceitos vigoram muito fortemente também no corpo docente'', destacou.
Segundo ela, o desenvolvimento destas temáticas nas escolas possibilita a formação de outro tipo de cultura. ''As escolas devem promover condições para que os alunos tenham perspectivas mais críticas sobre as diferentes formas de desigualdades. As questões de gênero, a homossexualidade e as discussões étnicas e raciais são os principais critérios de hierarquização de grupos sociais'', definiu. A professora acrescentou que a escola deve contribuir para que os alunos reflitam a este respeito e mudem suas percepções a atitudes.
Silvana destacou que, apesar da importância do tema, ainda há dificuldades difíceis de serem superadas. ''Para tratar estes temas com os alunos, os professores têm que estar preparados e são necessários materiais didáticos sobre os temas. Estes são dois problemas que ainda fazem parte da nossa realidade. Existem iniciativas para contornar estas duas questões, mas são duas coisas difíceis de executar de fato'', concluiu.
Evento
O congresso conta com cerca de 400 professores, que discutem assuntos relacionados à melhoria da qualidade de ensino e à autonomia dos Colégios de Aplicação diante dos governos estaduais, municipais e das universidades.
Dos 17 Colégios de Aplicação brasileiros, dez estão representados no evento. O professor Carlos Alberto Albertuni, integrante da comissão organizadora do evento, afirmou que será elaborado um manifesto que servirá para mediar o diálogo entre os colégios e o governo. ''Do ponto de vista pedagógico é interessante que os colégios tenham mais autonomia, mas sabemos que do ponto de vista administrativo e financeiro o colégio depende das universidades e do governo''.
Ele afirmou que o interesse dos colégios em rever esta situação ocorreu porque diante de propostas diferenciadas de ensino é necessário fazer uma discussão com o governo e a universidade. ''O Colégio de Aplicação, como um campo de estágio, é um local onde novas ideias são implantadas. Este espaço deve ser reservado e fortalecido como um ambiente de experimentação e didática'', completou.

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