Por um tratamento humanizado do câncer
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quarta-feira, 03 de abril de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Um sonho que pode se tornar uma grande realidade. É com essa visão que será fundado oficialmente hoje, na Associação Médica de Londrina, o Centro de Apoio ao Tratamento do Câncer, com a participação de autoridades de diversos setores.
A entidade deverá atuar com atendimento multidisciplinar gratuito a todos os pacientes submetidos à Quimioterapia e Radioterapia em Londrina e região, com o objetivo de amenizar o sofrimento físico e emocional provocado pelo tratamento.
Apesar dos esforços, principalmente do Instituto do Câncer de Londrina (ICL), em oferecer esse suporte aos pacientes e familiares, é muito difícil manter um olhar individualizado quando se tem uma média de 1,2 mil atendimentos diários na instituição. Somente em 2011 foram quase três mil quimioterapias e 85 mil radioterapias realizadas no Hospital do Câncer.
Ao encarar esta realidade e uma outra dolorosa um câncer de orofaringe diagnosticado há três anos, o urologista londrinense Celso Fernandes Junior abraçou a causa e idealizou o Centro de Apoio. Durante os 35 anos dedicados ao trato de câncer urológico, Fernandes nunca havia imaginado como era estar do outro lado da mesa do consultório e receber a notícia do câncer.
"Quando se recebe uma notícia dessa, a primeira coisa que as pessoas fazem é olhar para cima e perguntar a Deus o porquê dessa doença. Quando eu recebi essa notícia, eu apenas quis saber para quê eu tinha que passar por isso. E essa resposta veio em um sonho que tive", conta o médico.
De forma entusiasmada, Fernandes conta que um dia, durante o tratamento, sonhou que estava em um Centro de Apoio, onde havia um setor multidisciplinar para tratar os pacientes. "É exatamente o que sonho em fazer desta entidade", comenta o médico, que passou por sessões de quimioterapia e radioterapia por cerca de seis meses.
A ideia principal, segundo Fernandes, é agrupar em um só espaço diversos departamentos, como enfermagem para dar auxílio no pós-cirúrgico; nutrição, pois a maioria dos pacientes fica desnutrido; psicólogos para dar um suporte emocional, inclusive para familiares; setor jurídico para orientação quanto à reivindicação de medicamentos, aposentadoria e direitos; e um departamento da dor, com intervenção rápida de medicamentos.
"Além disso tudo, é importante um setor da fé, com apoio de todas entidades religiosas, pois sei que esses pacientes necessitam da fé para vencer a patologia. No meu caso específico, o sofrimento maior foi físico, mas é claro que o emocional fica muito abalado. Porém, quando se busca a fé nos tratamentos, é muito mais fácil esquecer as estatísticas", completa o médico.
Pesquisa
Apesar da fundação oficial, o Centro de Apoio ainda não tem previsão para iniciar os serviços. "Estamos formatando a ideia junto com gestores e colaboradores e em seguida, vamos buscar um local para instalação. Mas posso adiantar que uma ação imediata será no campo de pesquisa. Temos muitos parceiros, como o Instituto Fiocruz, que nos dará apoio nesse sentido", ressalta.
Na assembleia de constituição, além da aprovação do estatuto, Edson Duarte Moreira Junior, chefe do Laboratório de Epidemiologia da Fundação Oswaldo Cruz, do Ministério da Saúde, ministrará uma palestra sobre as pesquisas que a Fiocruz vem realizando no país.
Além da Fiocruz, são apoiadores da entidade o Instituto de Câncer de Londrina, a Sociedade Rural do Paraná e as universidades locais. "Não é uma proposta de ser um hospital. O sentido é como o próprio nome diz, dar apoio. A partir da criação desta ideia, penso que ela tem que ser cuidada, nutrida e fazer com que cresça com responsabilidade junto à sociedade", finaliza.


