'Por sorte o tiro não acertou ninguém'
O mestre em artes marciais Frank Oguido, 58 anos, recomenda que ninguém, principalmente quem nunca fez aulas de defesa pessoal, reaja a assaltos. No ano passado, no entanto, ao ser abordado por ladrões, ele não seguiu a regra de sua própria cartilha.
Oguido e o irmão dele fechavam a farmácia quando os ladrões agiram. ''Fui até meu carro e percebi que perto dali estavam quatro rapazes sentados, com atitude suspeita. Mesmo assim voltei para dentro da farmácia. Quando fui de novo até o carro, os rapazes, um deles armado, vieram em minha direção e ordenaram que eu entregasse a chave do carro'', relata.
No momento de passar a chave para um dos assaltantes, Oguido decidiu agir. ''Puxei o rapaz para a frente da linha de tiro para me proteger e dei um soco na cara dele. O assaltante que estava armado se assustou e disparou. Por sorte o tiro não acertou ninguém e fez com que os criminosos fugissem'', completa. Ele ainda alcançou um dos assaltantes, que foi novamente agredido. A polícia chegou em seguida e prendeu a quadrilha.
Colegas e alunos de Oguido, inclusive policiais, repudiaram sua atitude. O professor reconhece que pode servir de mau exemplo, mas não se arrepende do que fez. ''Não era a primeira tentativa de assaltar meu carro'', diz.
Para o professor de defesa pessoal, quem faz treinamento tem mais chances de evitar assaltos. ''Quem se prepara enfrenta de forma diferente em situações como essas. Por exemplo, quando estou andando na rua e percebo que lá na frente tem alguém com atitude suspeita, já mudo minha rota, diminuindo as chances de ser surpreendido'', ensina.
O treinamento, no entanto, não é garantia de que uma pessoa sairá ilesa. ''Conheço o caso de um ex-policial que reagiu ao roubo e acabou levando um tiro na coluna.'' Exemplos como esse reforçam a tese de que o melhor é não reagir. Mas Oguido também aponta que é perigoso generalizar. ''Quantas vezes as pessoas não reagiram, mas acabaram levando um tiro da mesma forma?''





