Após uma vida de dedicação e luta, muitos idosos acabam morando em asilos, seja por opção ou por motivos que fogem à vontade própria. Nesses locais eles são bem tratados, mas muitas vezes não recebem sequer a visita de parentes. No asilo São Vicente de Paula, em Londrina, convivem 120 idosos. A coordenadora da instituição, irmã Seleide dos Santos, diz que muitos não têm família. ''Algumas famílias, por necessidade, trazem os idosos porque não é fácil ter uma pessoa diferente daquilo que se está vivendo em casa. O jovem pensa de um jeito, o adolescente de outro e o idoso de outro ainda'', justifica.
Em relação a Londrina, a irmã afirma que muitos idosos ainda são marginalizados, principalmente em filas de bancos. ''Existe muita diferença no trato'', aponta. Mas ela é otimista e fala sobre um despertar da população para a necessidade de se cuidar do idoso. ''Hoje já se sente que eles são fonte de riqueza'', conta. Para ela, o tema da Campanha da Fraternidade deste ano vai provocar uma conscientização da população. ''Todas as paróquias vão falar disso'', argumenta.
Aurélio Fachinelli vive no asilo há quatro anos. Aos 72 anos, já passou por dois casamentos e tem quatro filhos. Segundo ele, sua ida para o São Vicente de Paula foi por vontade própria. ''Se fosse te explicar demoraria mais de duas horas'', esquiva-se. Seus filhos sempre vão à instituição. ''Vamos almoçar juntos mas cada um tem o seu canto'', diz.
Fachinelli está aposentado, após 30 anos trabalhando como viajante. Mas ele não pára. ''Vim para cá para estender a mão como voluntário'', afirma. Já ajudou na cozinha, acompanhou idosos nos hospitais e hoje atua na recepção. Ele afirma que sempre tem uma palavra amiga. ''Leio a Bíblia e isso ajuda'', observa. Por quanto tempo ele ainda ficará lá, ''só Deus sabe''. ''Comigo não tem tempo ruim, é tudo na santa paz'', declara. Um exemplo de que a vida após os 60 pode ser produtiva e feliz.

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