Paulo Ubiratan
De Londrina
‘‘Apanhei e estou bem machucada. Não quero culpar ninguém pois eles (a polícia) não tem culpa de eu estar aqui. Eu sou uma estranha aqui. Por favor eu quero sair daqui. Eu não aguento mais ficar aqui’’. Os lamentos são da londrinense Rosemary Garcia Ferreira, presa por tráfico de cocaína no aeroporto de Assunção (Paraguai) em maio de 1996.
O advogado Ramom Pandega, com quem Rosemary se casou no Paraguai, é quem a assiste juridicamente no país. Ambos foram entrevistados por telefone no último sábado pelo Departamento de Jornalismo das rádios CBN e Tabajara de Londrina, diretamente da Penintenciária Correcional de Mulheres Bom Pastor, na capital paraguaia.
Nos cinco minutos que conversou com a reportagem, Rosemary repetiu por várias vezes as mesmas frases e mudou a entonação da voz por quatro vezes, gritando em algumas ocasiões e chorando em outras. No telefonema ela fez exaltações a Deus (pertence à uma igreja evangélica) e suplicou para que seja concedida a sua liberdade. ‘‘Me tirem daqui. Deus vai me ajudar, mas também tenho necessidade da ajuda de vocês brasileiros, autoridades brasileiras. Preciso ver minha família que está longe’’, desabafou.
Ramon Pandega disse que a mulher havia sido espancada e justificou que não podia dar detalhes pelo telefone. ‘‘Não posso falar nada, apenas posso confirma o que Rosemary falou para vocês. Eles (os policiais) estão também pressionando psicologicamente a Rosemary para que ela fique louca. É somente isso que posso falar e peço ajuda para o Brasil ajudá-la’’, afirmou. A ligação foi cortada bruscamente com um ‘‘basta’’ pronunciado em espanhol.

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