Moradores do Jardim Alvamar 2, em Sarandi (7 km a leste de Maringá), cancelaram ontem um protesto contra a falta de água, porque não queriam ir até a prefeitura sem tomar banho. O bairro, com cerca de 90 casas, está sem água desde o início da tarde de terça-feira. ‘‘Não vamos lá nessas condições para não deixar o prefeito e a turma dele com vergonha’’, disse a dona-de-casa Solange Fátima dos Santos.
Pela manhã algumas mulheres do bairro passaram nas casas, convocando os moradores para o protesto no meio da tarde. Por volta das 15 horas, elas decidiram não ir até a prefeitura porque estavam sem tomar banho. ‘‘Se amanhã a água não vier nós vamos radicalizar’’, ameaça Solange. Ela reclama que há pelo menos dois meses a prefeitura, que é a responsável pelo abastecimento de água, vem promovendo cortes para a instalação dos medidores. Na terça-feira, no entanto, a água não veio também de noite.
Para o carpinteiro Francisco Geraldo Filho, o problema do bairro é o encanamento com padrão insuficiente para atender as casas. Ele revela que toda rede instalada pela loteadora é de canos 3/4 que não suportam a pressão da água. Geraldo Filho critica também os hidrômetros instalados pela prefeitura, que administra o serviço de água do município. ‘‘São de péssima qualidade, caros e colocados de qualquer jeito’’, afirmou. Cada imóvel está pagando R$ 120,00 pelo aparelho. Antes, apenas algumas casas do bairro tinham hidrômetro.
O chefe do serviço de água de Sarandi, Sebastião Cássio de Almeida, disse à Folha que a falta de água no Alvamar 2 se deve a problemas de canos obstruídos. ‘‘Nosso encanador tem 25 anos de experiência mas ainda não identificou a causa do problema’’, justificou. Ontem ele garantiu que o abastecimento estaria normalizado até o início da noite. Almeida concordou também que o encanamento não é o ideal e que o hidrômetro ‘‘é fraco’’. Os canos serão trocados conforme o bairro for asfaltado, e os relógios estão dentro do padrão das famílias da cidade.

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