Patrícia Zanin
De Londrina
Mais de 200 moradores de bairros e assentamentos de Londrina dividiram as galerias da Câmara com representantes de partidos políticos e entidades de classe. Enquanto as lideranças foram pressionar os vereadores a aprovar a CEI para investigar denúncias de irregularidades na AMA e na Comurb, os populares, arregimentados pelas associações prestaram apoio ao prefeito Antonio Belinati.
Muitos moradores, porém, não sabiam por que estavam ali. ‘‘Eu tava lavando roupa, chegou um ônibus e eu vim, mas não sei o que está acontecendo’’, disse a dona de casa Zilda Marcelino de Souza, do assentamento Monte Cristo, zona leste da cidade. A dona de casa Solange de Lima, do Jardim Maracanã, zona oeste, que levou os dois filhos para a Câmara, também disse desconhecer o motivo da reunião da Câmara.
‘‘É Belinati. Fora ‘impitimam’. Jardim Maracan㒒, dizia o cartaz dos moradores. ‘‘Estou aqui porque disseram que iam votar o impeachment do prefeito’’, disse o autônomo Flávio Marinho Ferreira, morador do Monte Cristo. ‘‘Disseram também que foi verba desviada, mas o prefeito não precisa disso e tem apoio total do pessoal da região do Marabᒒ, acrescentou Ferreira.
Helena Martins Parente, da Associação de Moradores da Vila Isabel, na zona Oeste, opinou: ‘‘Esse movimento é político e a Promotoria já está fazendo a parte dela’’. Ela se revezou entre as galerias e os gabinetes dos vereadores Alvair de Souza (PSB) e Salvador Francisco (PSB), além de fazer contatos com a irmã da mulher do deputado José Janene, Genoveva de Lima, que estava na Câmara. Helena corria as galerias e pedia ‘agito’. O deputado negou estar monitorando a sessão.
Das galerias, gritos dos populares iam desde ‘‘Um, dois, três, Belinati outra vez’’ até ‘‘Por gentileza, os ricos se retirem que os pobres querem sentar’’. Também não faltaram provocações aos vereadores.

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