Acompanhadas pelos pais, as crianças caminham com os pés descalços pisando os pedregulhos das ''ruas'' no Conjunto João Turquino (zona oeste de Londrina). Os buracos e o mato tomam conta do bairro e deixam ainda mais evidente o completo isolamento da população, que sobrevive encostada num canto da cidade e longe das benfeitorias públicas.
Criado oficialmente em 1986, foi a partir da metade da década de 90 que o maior assentamento urbano da cidade começou a receber intenso fluxo de famílias. Em dezembro de 2002, já eram 851. A Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina, porém, considera o Jardim União da Vitória (zona sul) como o maior assentamento londrinense, com 1.958 famílias, somando os quatro conjuntos que formam o bairro.
Ao contrário do União da Vitória, no João Turquino nenhuma rua é asfaltada e também não há posto de saúde. Para ser atendida por um especialista, a comunidade precisa agendar consultas na unidade do bairro vizinho e esperar até quatro meses.
A presença ostensiva de viaturas das polícias Militar e Civil durante esta semana tem chamado a atenção dos moradores. Os policiais são observados com uma mistura de agradecimento e desconfiança. Mas, de maneira geral, a população aprova a medida.
''Aqui não tem final de semana. Todo dia é a mesma coisa'', disse uma dona de casa, que enfrenta há sete anos as dificuldades de morar num dos bairros mais abandonados de Londrina. O marido, vendedor ambulante, também concorda com a ''rotina sempre igual (sic)'' do lugar que ele viu crescer em número de habitantes e em quantidade de problemas.
Durante o dia, o lema no bairro, segundo o casal, é ficar alheio à vida dos ''outros''. Eles não dizem, mas esses ''outros'' são uns poucos moradores que usam o bairro para o tráfico de drogas e para prática de outros crimes, como ameaçar e até expulsar famílias de suas casas para depois vender o imóvel.
O filho adolescente, de 14 anos, também teve que se enquadrar à triste rotina. Segundo a mãe, ele sempre recorda da vida que levava quando tinha sete anos e vivia perto dos avós em Cambé.
Na cidade vizinha, o jovem tinha liberdade para brincar e possuía mais amigos. ''Meu menino não gosta daqui. É de casa para o colégio e do colégio para casa'', diz o pai. Até para tomar um simples sorvete a mãe prefere buscar no mercadinho e levar para comer em casa.
A situação piora um pouco mais quando cai a noite. ''Todo mundo procura ficar em casa'', revela a dona de casa. Mesmo assim, ela ainda mantém um fio de otimismo, já que a violência ''está na cidade toda'' e não apenas no bairro onde mora. Mas ''se tivesse renda e melhores condições'', não gostaria de continuar morando no João Turquino.

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