Buracos nos asfaltos, esgotos destampados ou na margem de rios, calçadas arrebentadas por obras inacabadas. Este é o quadro desenhado pelas 720 associações de moradores de Curitiba e região metropolitana. Para controlar esta situação, foi criado em Curitiba o Conselho Comunitário de Fiscalização de Obras Públicas. A intenção é verificar o trabalho feito pelas empreiteiras e constatar as irregularidades. ‘‘Não vamos permitir que seja usado material de péssima qualidade nas obras públicas ou que as obras fiquem inacabadas’’, afirmou José Augusto, presidente do conselho.
De acordo com ele, a prefeitura não tem como fiscalizar a execução de todas as obras públicas e manutenções realizadas no município por falta de recursos e infra-estrutura. O conselho irá auxiliar neste papel, anotando as falhas e notificando as empreiteiras. Será estipulado um tempo para que a empreiteira conclua os serviços de forma satisfatória. Em casos de recusa, o conselho entrará com uma ação civil pública contra as empresas junto à Promotoria do Consumidor e à Associação de Defesa e Orientação do Cidadão (Adoc).
A utilização de materiais de pouca durabilidade nas obras públicas pode ter relação com o aumento do valor do asfalto e de matérias-primas. Segundo a Comissão de Obras Públicas do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon), os aumentos de insumos do setor aconteceram por causa da alta do dólar e os contratos ficaram com os valores defasados. No caso do asfalto, por exemplo, o reajuste de preço chegou a 67%. ‘‘Mas isto não é motivo para se fazer obras com material de custo baixo; acho que a saída seria rever os processos e não penalizar a população’’, salientou Augusto.
Entre as obras inacabadas ou mal executadas elencadas pelas associações de moradores estão o asfaltamento da Rua Coronel Domingos Soares, no Bairro Alto, onde a empreiteira colocou pedras nos buracos do asfalto e não passou a capa asfáltica; na Rua Fernandes Maia, no mesmo bairro, onde a falta de cuidado no trabalho das empreiteiras causou rebaixamento da pista; e o esgoto deixado aberto próximo ao Rio Atuba, onde crianças costumam brincar com regularidade. ‘‘Isto é uma irresponsabilidade a toda a prova’’, reclamou o vereador Jair Cezar (PTB). ‘‘Temos que nivelar as empreiteiras por cima e combater a falta de zelo’’, disse ele.

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