População tenta retomar a vida em Tomazina
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 2010
Marian Trigueiros<BR>Reportagem Local 
Tomazina - Antes mesmo de chegar a Tomazina (Norte Pioneiro) já dá para ver a marca da destruição feita pela enchente que atingiu o município no último dia 30, quando o Rio das Cinzas subiu mais de cinco metros. Na ponte localizada na entrada, homens e máquinas tentavam retirar toda a lama e areia que ficaram depois que a água baixou. O acesso pelo local ainda está bloqueado para carros, mas a circulação de pessoas e motocicletas foi liberada ontem. Para chegar à cidade pela outra entrada, é preciso percorrer 120 km a mais, via Arapoti ou Wenceslau Braz.
Dados preliminares da Defesa Civil estimam que cerca de 200 famílias foram afetadas pela enchente; 50 delas na zona rural. Segundo o prefeito Guilherme Costa, ainda há lugares em que as equipes não conseguiram chegar. ''Em torno de 40 pontes foram levadas quando o rio subiu. Há várias regiões que não sabemos como estão, pois está impossível o acesso'', comentou.
Andando pela região mais afetada às margens do rio, mais sujeira e destruição. Por onde se olha, pessoas desesperadas, desconsoladas e tirando forças para recuperar o pouco que restou. Tanto que a imagem de famílias e amigos sujos de lama dos pés à cabeça, munidos de enxada, pás e carrinhos é recorrente. Antes, era a chuva que não dava trégua, agora, o trabalho é feito sob um sol escaldante, cuja sensação térmica passava dos 40 graus. Para piorar a situação, a água parada misturada a galhos de árvores exalava um odor fétido.
Até o final da tarde de ontem, a cidade continuava sem abastecimento de água e a maioria das regiões, sem energia elétrica. A água para beber era distribuída por caminhões-pipa da prefeitura, porém, tamanho era o desespero de estar sem água em casa há quatro dias, que um princípio de tumulto aconteceu e um homem com uma foice chegou a ameaçar as pessoas ao redor. Moradores também relatavam tentativas de saque a casas e estabelecimentos comerciais.
Prainha
Além das pessoas que perderam os bens, uma das principais belezas naturais da cidade foi sugada pela força da água. A prainha, onde as pessoas costumavam passar o dia na beira do rio, foi totalmente devastada, junto com toda a rua que dava acesso. No lugar, mais de um metro de areia ficou depositado com lama ao redor.
Morador há 15 anos na mesma casa, o aposentado José Alberto de Lima, de 67 anos, não se conformava com a pilha de móveis e roupas que se acumulava na rua. ''Quando percebemos, a água já estava muito alta, só deu tempo de sair de casa. Perdi tudo o que possa imaginar. Não sei nem por onde recomeçar'', disse chorando.
O mesmo aconteceu com a professora Neiva de Fátima do Vale, que mora bem próximo ao rio. ''Foi tudo muito rápido, não deu para salvar praticamente nada. Se fosse durante a noite, nem sei o que poderia ter acontecido.''
Após o susto maior, a cidade começa a voltar ao normal. Poucos estabelecimentos, contudo, estão funcionando. O serviço de saúde funciona normalmente, mas a prefeitura só deve reabrir na semana que vem. As aulas, que teriam início na próxima segunda-feira, foram suspensas por 15 dias.


