Londrina - Você se recorda quando foi o último dia em que choveu significativamente em Londrina? Segundo a medição realizada pelo Instituto Agronômico do Paraná, isso aconteceu no dia 22 de julho, quando caíram 15,6 mm de chuva. Desde então a medição permaneceu em 0,0 mm. Somando os meses de julho e agosto, apenas 75 mm de precipitação foram registrados na cidade. Para comparar, no mês de junho foram registrados 250 mm de chuva.
Na tarde de ontem a umidade relativa do ar estava em apenas 28%, quando o recomendado pela Organização Mundial de Saúde para um maior conforto e saúde dentro de casa é de 45%. Quando esse percentual fica entre 20% e 30%, a OMS orienta a população a ficar em estado de atenção e a recomendação é aumentar o consumo de água, evitar exercícios físicos ao ar livre entre 11 e 15 horas, proteger-se do sol e umidificar o ambiente.
"Eu tenho sentido que o tempo está assim pela minha boca, que fica mais ressecada. Tenho tomado mais água e à noite preciso de remédios, se não eu não consigo dormir", destacou a estudante Ana Caroline Monteiro, de 18 anos, que andava pelo Centro e se comprou uma garrafa de água para amenizar o tempo seco.
A responsável pelo comércio de lanches e de sucos, Cristina Morales, disse que as vendas aumentaram em relação ao mês passado. "O que mais tem vendido agora é água, suco de laranja e acerola", afirmou.
O casal Dayane Ponce e Daniel Zaminelli contou que tem recorrido a um aparelho de inalação para cuidar do filho Danilo, de 5 meses. "Quando a respiração dele ‘enrosca’, é só colocar esse aparelho e ele melhora."
O gerente imobiliário Marco Aurélio Taborda destacou que tem colocado uma toalha molhada no quarto para tentar amenizar os efeitos do tempo seco. "Momentaneamente melhora, mas na hora em que vou trabalhar eu sinto a garganta coçar e a secura no nariz é horrível", expôs.
O meteorologista Fernando Mendonça Mendes, do Instituto Tecnológico Simepar, destacou que para se criar condição de chuva é preciso um sistema de baixa pressão atmosférica aliada à umidade encontrada no ar, mas essas condições não tem acontecido. "Entre domingo e segunda-feira haverá um aumento de umidade na metade Sul do Paraná e no dia 2 ou 3 pode ser que aconteça uma chuva no Norte, segundo a simulação realizada ontem, mas ainda não dá para saber com certeza se isso acontecerá", destacou.
Mendes ressaltou que o clima seco é normal nesta época do ano e que, em um horizonte de 15 dias, outra data que pode registrar chuva é 12 de setembro.

Risco de incêndio
A Defesa Civil e Corpo de Bombeiros emitiram ontem um alerta sobre o risco elevado de incêndios florestais. A nota destaca que o tempo seco aliado às recentes geadas e a previsão de que o quadro permanecerá inalterado até a próxima semana aumentam o risco. Somente no mês de agosto foram registradas 3.046 ocorrências no Estado, sendo que 376 deles na região de Londrina. A região mais castigada pelas chamas é a de Ponta Grossa, com 521 incêndios, seguido por Maringá, que assinalou 418 ocorrências, e Cascavel, que anotou 407.
"A orientação que damos é que as pessoas não façam queimadas sob hipótese alguma, evitem jogar fósforos acesos ou bitucas de cigarro, não façam fogueiras ou mesmo a queima de lixo ou de entulho. Também não é recomendado fazer a limpeza do terreno com queimadas, muito comuns nesta época do ano", destacou
o capitão Romero da Silva Filho, chefe do setor operacional da Divisão de Defesa Civil.
Ele recomendou também que as pessoas comuniquem os bombeiros pelo telefone 193 quando notarem alguma queimada. E se for observado que alguém está ateando fogo, ele recomenda que a pessoa ligue para o telefone 0800-6430304, telefone da Polícia Ambiental.
A tenente Tamires Pereira, do Corpo de Bombeiros de Curitiba, destacou a importância de evitar queimadas próximas a linhas de transmissão de energia elétrica, pois há o risco de provocar um apagão.

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