População sofre com falta dágua
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sábado, 10 de janeiro de 1998
Mônica Kaseker 
Chico CamargoSufocoMaria Gonçalves, com o bisneto: guardando 18 litros de água por diaHá quase três anos os moradores das vilas Esperança, Baldan e Juvenal da Cruz, em Fazenda Rio Grande (Região Metropolitana de Curitiba), sofrem com a falta de água. São cerca de 6.000 pessoas que, quase todos os dias, têm que armazenar água para cozinhar, lavar roupa e tomar banho. A Sanepar já informou que o problema só vai ser solucionado com obras para aumentar a produção e reestruturar a rede de distribuição de água, em fase de licitação. Um sistema emergencial entra em operação dentro de oito meses e deve amenizar a situação.
A água chega às casas a partir das 23 horas e acaba no início da manhã. Quem não tem caixa dágua tem que ficar acordado até muito tarde para tomar banho de chuveiro ou apelar para a canequinha e a bacia. Maria Gonçalves do Espírito Santo, de 70 anos, guarda 18 litros de água diariamente. Ela cuida do bisneto, um bebê de 33 dias, enquanto a família vai trabalhar e conta que a filha acorda às 5 horas para lavar as fraldas enquanto ainda sai água da torneira do tanque. À noite a família tem que tomar banho de bacia. Às vezes, mesmo guardando água temos que pedir um pouco ao vizinho que tem poço, mas ele não gosta de dar, conta.
Chico CamargoIndignaçãoFerreira, salvo pelo poço: Como vamos pagar, se nem usamos essa água?
Neuci de Fátima Arende, de 40 anos, diz que desde que se mudou para a Vila Esperança falta água quase todos os dias. Os moradores já fizeram um abaixo-assinado e reclamaram muito, mas não entendem por que a solução demora tanto. Enquanto isso, vão juntando água nas vasilhas porque não têm dinheiro para comprar uma caixa dágua de 500 litros, recomendada pela Sanepar como alternativa aos moradores da região. Usamos água de poço, mas como o sistema de esgoto é fossa, sabemos do risco que esta água oferece, reclama a dona-de-casa.
Na casa de Valter Ferreira, a família, de seis pessoas, depende da água do poço. Ele reclama que, mesmo faltando água todo dia, o fornecimento foi cortado por falta de pagamento. Como vamos pagar, se nem usamos essa água?, pergunta. O presidente da Associação dos Moradores da Vila Juvenal diz que no próximo dia 28 haverá uma reunião no Procon com representantes da Sanepar. Além de pedir mais uma vez a regularização no abastecimento de água, a associação pretende pedir ressarcimento dos prejuízos causados pelo incômodo.
A Sanepar informa que já houve mudanças operacionais para tentar solucionar o problema, mas não foram suficientes. O abastecimento fica comprometido especialmente nas regiões mais elevadas, porque as constantes quedas de fornecimento de energia dificultam o bombeamento da água. A população cresceu muito na região e no verão o consumo aumenta ainda mais. As obras para construção da barragem no Rio Despique, estação de tratamento, reservatório e reforço da rede de distribuição vão custar R$ 4 milhões e não têm prazo para serem concluídas, porque o dinheiro ainda não foi liberado. Enquanto isso, a companhia recomenda o uso de caixas de 500 litros.


