População será polícia do parque
População será polícia do parque
Consultor para projetos de desenvolvimento de agricultura orgânica, técnica que evita o uso de agrotóxicos, o engenheiro agrônomo Marcos Rogério Pagani, 33 anos, se considera um defensor da natureza.
Ele concilia essa posição com a função de coordenador da Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec).
A entidade, criada há dez anos, lidera o movimento pela reabertura da estrada, que atravessa uma das últimas reservas de floresta subtropical úmida do Brasil.
Sou um ecologista na prática, afirma o engenheiro agrônomo, que mora em Francisco Beltrão.
Folha de Londrina - Por que reabrir a Estrada do Colono?
Marcos Pagani - Porque ela é uma conquista regional, ligada à história, à cultura, à economia e ao desenvolvimento das duas regiões (Oeste e Sudoeste). A Estrada do Colono é anterior à criação do Parque Nacional do Iguaçu. Surgiu por volta de 1925 e o Parque do Iguaçu só foi criado em 1939.
Folha - Uma eventual reabertura não provocaria a depredação do parque?
Pagani - O maior risco é o abandono, o descaso e a incapacidade do Ibama de administrar o parque. O abandono administrativo é o maior depredador. Nada é pior do que a população ver o parque como inimigo. Com a abertura da estrada, a população será amiga do parque. Além disso, forneceremos o maior contingente de polícia para proteger a reserva: os mais de 300 mil habitantes das regiões Oeste e Sudoeste, que serão beneficiados com a reabertura da Estrada do Colono.
Folha - A Aipopec não está indo na contramão do movimento ambientalista?
Pagani - Os ambientalistas radicais protegem árvores e não se preocupam com o homem. Estamos propondo uma convivência harmoniosa da população com o Parque Nacional do Iguaçu.





