Curitiba - Uma semana depois da administração do município declarar ponto facultativo, por dois dias, e suspender a prestação de serviços essenciais à população, como abastecimento de água e coleta de lixo, o atendimento à saúde, ainda, não voltou à normalidade em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba.
A reportagem da FOLHA esteve no posto de saúde Heitor Alves de Araújo, na manhã de ontem, onde constatou que não havia nenhum médico trabalhando. Segundo a enfermeira-chefe, Ana Souto, o posto atende cerca de 150 pessoas, diariamente. Com a ausência dos profissionais, muitos desses pacientes estão sendo encaminhados para o hospital do município. No local, é feita a primeira avaliação dos usuários, que depois são encaminhados a médicos especialistas. "Quando o médico não está aqui a gente tem que avaliar mais profundamente", conta a enfermeira.
A ausência de médicos causou irritação na dona de casa Ilda Martins Miranda, que sofre de epilepsia e artrose e depende da assistência pública municipal. Recentemente, seu quadro se agravou depois que sofreu uma queda. "O médico viu o raio-X e disse que era urgente", conta ela. No entanto, quando retornou com os exames para tratar do problema não conseguiu atendimento. "Semana passada eu vim e dei com a cara na porta. Agora não tem médico", lamentou.
A secretária de Saúde do município, Dalimar de Luca Moreira, credita a ausência dos médicos à uma informação inverídica que foi divulgada, informalmente, afirmando que os médicos não receberiam pagamento este mês. Segundo ela, esse não é o primeiro "boato" que estaria prejudicando a sua gestão. Na semana passada, após o atual prefeito do município, Amauri Johnsson (PSC) perder a eleição, foi decretado ponto facultativo para os servidores municipais, na segunda e na terça-feira.
Ainda segundo a secretária, a decisão de fechar também os postos de saúde nesses dois dias se deu em função de outro "boato", que dizia respeito a um "quebra-quebra", que aconteceria na segunda-feira (06) após a eleição. De onde veio essa informação e a quem interessaria fazer confusão depois da derrota de Johnsson nas urnas, Dalimar não soube precisar.
Outro serviço que foi interrompido após a eleição e causou transtorno à população de Rio Branco do Sul foi o abstecimento de água. Apesar de já estar normalizado nesta semana, alguns moradores contam que sofreram nesse período. O autônomo Odazir Machado conta que precisou usar a água de uma propriedade rural próxima para seu consumo. O aposentado Armando Faria Bueno conta que, também, precisou usar a imaginação para driblar a seca. No município, ninguém paga conta de água. O abastecimento vem de um lençol freático e é gerido pelo próprio município.
O deputado estadual Cleiton Kielse (PMDB) afirmou, ontem, que, nos próximos dias, pretende encaminhar ao Ministério Público (MP) estadual um pedido de intervenção no município por conta de instabilidades financeiras, que poderiam prejudicar o prefeito eleito para o próximo mandato, Adel Ruts (PP).

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