População se mobiliza para transformar
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Marta Ortega<br> Reportagem Local 
A mobilização de moradores e empresários de uma comunidade ajudando no desenvolvimento do bairro e melhorando as condições de vida da população. É o que pretende a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) com o Projeto de Desenvolvimento Local, que atende as demandas de bairros em várias cidades do Estado. Até agora, cidades como Curitiba, Ponta Grossa, Maringá e Londrina aderiram ao projeto, que consiste no levantamento dos problemas do bairro, na necessidade e no desejo da comunidade em transformar o local num lugar ideal para se viver.
O primeiro passo é encaminhar uma equipe para visitar o bairro, fazendo o levantamento dos problemas. O Seminário Visão do Futuro discute todas as vontades e necessidades dos moradores para ser atendidas num prazo de dez anos. Nesse seminário iniciamos o processo de planejamento, que vai contar com os moradores voluntários e os empreendedores. Sabemos o que o bairro tem de bom e quais as necessidades, afirma a assistente da coordenadoria regional da Fiep, Camila Fernandes Costa.
Em Londrina, o bairro pioneiro no projeto, a Vila Recreio (Centro), já está com projetos em andamento. Para este ano, o planejamento é a revitalização da praça, com instalação de luz, plantio de árvores e a criação de uma biblioteca, que aproveitará o módulo policial desativado. Os moradores, especialmente aposentados e merendeiras, também têm aulas de culinária para aperfeiçoar o trabalho.
Segundo o presidente do bairro, Jovelino Cassiano Rodrigues, a previsão é que o projeto de revitalização da praça seja concluído em abril e a instalação da biblioteca em maio. Passamos dois anos aguardando a ação de autoridades, mas o projeto da Fiep fez com que a população se unisse e fosse em busca do que é melhor para todos. O bairro também precisa de uma creche, que já está sendo agilizada. Temos todo um planejamento para 2008 e 2009 e esperamos cumpri-lo, afirma o presidente.
No Jardim Felicidade (Zona Norte) o problema é mais grave. Os moradores precisam de escola, asfalto para ligar o bairro com a Vila Nova, posto de saúde, linha de ônibus (apenas uma atende o bairro) e uma limpeza completa. No local vivem vários coletadores de lixo e a sujeira e o mau cheiro são os principais problemas no bairro. A necessidade nesse local é muito maior. Temos que iniciar trabalhos que vão precisar da ajuda de moradores e empresários, afirma a assistente da Fiep.
Para a presidente da Associação Núcleo Esperança, Márcia Pessoa, o projeto é diferenciado e visa a inversão de pólos. Ao invés de esperar que as autoridades façam alguma coisa, a comunidade se mobiliza para resolver os problemas que estão ao alcance dela. A associação participa do projeto cedendo espaço para a realização das reuniões que vão definir quais as prioridades do bairro. Vamos discutir as prioridades e temos uma expectativa bastante favorável de que o bairro vai melhorar, afirma Márcia.
A grande dificuldade, segundo ela, é a mobilização das pessoas. Muitas não têm noção da capacidade de mobilização e do quanto isso pode ajudar a resolver pequenos problemas da comunidade. Essas ações não retiram a responsabilidade do poder público, mas são fundamentais para melhorar a vida de um bairro.
Além do Jardim Felicidade, o Heimtal e o Jardim Maringá também estão agendados para firmar o pacto do programa em abril. Outro bairro em Londrina, o Jardim Marabá, já está com seminário agendado para os próximos meses e o projeto deverá ser iniciado em junho. Em caso de necessidade de acionar os órgãos públicos para resolver os problemas, a própria Fiep se encarrega dos contatos.


