População se acalma e esquece cuidados com a gripe A
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domingo, 13 de setembro de 2009
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O céu claro, a temperatura em elevação e o período de pagamento dos salários estimulam as pessoas a voltarem a frequentar o comércio de Londrina, apesar dos riscos de contaminação pela gripe A. Na manhã de sábado era intensa a aglomeração de pessoas nos estabelecimentos das principais ruas centrais, grandes lojas de departamentos e no camelódromo.
A queda na procura por máscaras e álcool gel nas farmácias também indica que a população está deixando de se preocupar com a doença. Em várias drogarias consultadas pela reportagem, a demanda por esses produtos diminuiu bastante nas últimas duas semanas. De acordo com os atendentes, o estoque de álcool e máscaras chegou a se esgotar no pico da divulgação de informações sobre a doença, mas atualmente a oferta está equilibrada.
Acompanhada pela neta Heloísa, de 9 anos, a dona de casa Neuza Brites planejava entrar em uma loja de departamentos. ''Prefiro fazer compras de manhã, quando tem menos movimento'', explicou ela, acrescentando que não fez grandes mudanças na rotina por causa do risco da doença.
Em uma loja da rua Sergipe, o operador de máquinas Roberto de Jesus Barbosa, morador do distrito de Irerê, aguardava a esposa escolher sapatos. ''Como moramos na Zona Rural, não estamos muito preocupados com a gripe, porque lá em Irerê não tem aglomeração. Quando estamos em Londrina frequentamos as lojas e o shopping normalmente'', contou.
A estudante Angélica Nunes, que estava no camelódromo com a família, está consciente de que o risco de contaminação pela gripe A ainda existe, mas resolveu levar o filho pequeno para passear. ''Acho que o perigo maior já passou. Não tem como ficarmos em casa o tempo todo.''
Também no camelódromo, o comerciante Luis Alberto Vallejo confessou que já tomou mais precauções para se precaver contra a doença. ''Agora estou mais tranquilo, apesar de continuar evitando aglomerações. Quando tenho que comprar alguma coisa, faço o que é preciso e vou embora.''
Contaminada pela gripe A, a dona de casa Irene Soares Martins, 60 anos, estava no centro da cidade acompanhada pelo marido. Ela garantiu que tomou todas as precauções divulgadas pelo Ministério da Saúde para evitar a doença, mas acredita ter se contaminado no hospital onde acompanhava o marido em uma cirurgia. Fortes dores de cabeça, dor no corpo, calafrios, tosse e febre alta foram os sintomas relatados por Irene que levaram à suspeita de gripe.
Segundo o secretário municipal da Saúde, Agajan Der Bedrossian, este ''relaxamento'' já havia sido observado pela equipe técnica há uma semana atrás. ''Percebemos que as atividades de lazer, educacionais, religiosas e comerciais estão voltando à situação de pré-epidemia e isso é preocupante. Embora o vírus esteja perdendo a força, ainda existe um prazo para acabar. Temos que passar por todo este mês de setembro; não podemos descuidar. A população deve tomar todos os cuidados até que a Secretaria de Saúde dê o sinal verde'', alertou.
Até sexta-feira, de acordo com informações da Secretaria Municipal de Saúde, 212 casos de gripe A foram confirmados em Londrina. Deste total, 207 já foram medicados, curados e liberados, dois estão atualmente em tratamento e três pessoas morreram. No Paraná, segundo o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesa), 8.236 pessoas tiveram a doença confirmada em laboratório. (Colaborou Marian Trigueiros)


