População resiste a cadastramento
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de agosto de 1998
Alexandre Sanches 
Os moradores da comunidade do Ceboleiro, em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), decidiram anteontem à noite, em assembléia, não aceitar as fichas de cadastramento expedidas pela Viapar - concessionária do Lote 2 do Anel de Integração - que propõe tarifa especial de pedágio. Eles vão entrar na Justiça para garantir o direito de usar o acesso a Arapongas sem passar pelo pedágio na BR-369.
Os proprietários rurais argumentam que a concessionária quer fechar o acesso a Arapongas pela primeira estrada rural aberta pela Companhia de Terras Norte do Paraná, porque poderia ser usada como desvio da praça de pedágio. Além disso, o Parque de Exposições Expoara adquiriu um terreno para ampliar o estacionamento, justamente ao lado do início da estrada para o Ceboleiro.
Na reunião, mais de 150 pessoas entre proprietários rurais, lideranças regionais, políticos e empresários discutiram as medidas que devem ser tomadas nos próximos dias. O representante da Associação dos Moradores do Ceboleiro, Luiz Carlos Alves, informou que vão lutar até o fim para não bloquear o acesso. Se a Viapar fechar a estrada, vamos abri-la por conta. Não vamos aceitar que a empresa mude a vida de quem está aqui há mais de 50 anos, ressaltou.
Alves anunciou que a estrada não traz nenhum transtorno para a BR-369. Ela sai na marginal da rodovia, não oferecendo perigo a ninguém, diss. Ele afirma que a concessionária nunca procurou os moradores da região para tratar sobre o assunto, a não ser para entregar as fichas de cadastramento, que consideraram como um insulto.
A Viapar quer informações da nossa vida pessoal, até referência bancária. Ela é quem precisa apresentar atestado de idoneidade para a gente, afirmou o agricultor João Horwatich Filho. Para ele, sem a estrada muitos produtores terão de pagar para trabalhar no Ceboleiro.
Para os moradores, a justificativa da Viapar é que a estrada rural poderia ser usada como desvio do pedágio. Por isso temos de pagar pelos problemas deles? Eu tenho parentes em Arapongas que, se fecharem a estrada, deixarão de ir na minha casa por causa do pedágio, disse Horwatich.
A assessoria de imprensa da Viapar afirmou que a empresa não vai se pronunciar por estar tratando diretamente com a Expoara, responsável pelo fechamento da estrada e reurbanização do local. O administrador do pavilhão da Expoara, José Roberto Pontalti, por sua vez, afirmou que a entidade não tem interesse em fechar a estrada.
Realmente adquirimos uma faixa estreita do terreno ao lado da estrada para ampliar o estacionamento da Expoara. Íamos pedir autorização do município para mudar o traçado da estrada alguns metros, contornando o estacionamento. Se tivéssemos algum problema, seria daqui a um ano, declarou.


