População reclama de queimadas em Cornélio Procópio
A visibilidade está limitada na região de Cornélio Procópio por causa das constantes queimadas nas lavouras de cana e nos pastos. A sujeira causada pela fuligem nesta época do ano, por outro lado, está revoltando a população.
Dá vontade de chorar quando lavo a calçada no final da tarde e no outro dia pela manhã está impregnada de fuligem, reclama a dona de casa Cecília Toniol, 43 anos. Ela diz que nesta época do ano o melhor horário para se lavar roupa é a noite. É até triste ver tanta sujeira no chão, nos móveis, nas roupas e até mesmo no céu, diz a aposentada Tereza Reguim, 68 anos.
A queima da cana, que vai de maio a novembro, é um processo inovador que diminui o volume da palha, aumenta o rendimento do cortador e evita riscos para o trabalhador volante. A palha sem queimar serve de abrigo para animais peçonhentos e cobras. O processo de queima é todo voltado em prol do trabalhador volante. Além de facilitar o trabalho dele, garante o emprego, porque a única opção se não for a queimada será a mecanização, explica o agrônomo da usina de Álcool de Bandeirantes (Usiban), Hélio Kajiwara. Segundo ele, introduzir maquinário é vantagem para a empresa, mas o desemprego vai ser inevitável. Cada máquina dispensa o trabalho de 100 homens.
Kajiwara informa que a Usiban produz 350 mil litros de álcool e 10 mil sacas de açúcar por dia, utilizando 9 mil toneladas de cana por dia. São 2 mil empregos nas lavouras. Ao todo, foram plantados 9 mil alqueires de cana na região só para a Usiban, sem contar outras destilarias em Jacarezinho, Nova América da Colina e Ibaiti.
O problema é o fogo ateado por pessoas estranhas em lavouras e pastos dispersos, denuncia o engenheiro. Ele pede tranquilidade para a população de Cornélio Procópio, porque a queima na região próxima da cidade já está terminando.
Segundo a chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Cornélio Procópio, Fátima Roque, a queima controlada é permitida por lei. Infelizmente, é um processo com o qual temos que conviver, afirma. Segundo Fátima, se a fuligem saísse de uma chaminé, o IAP poderia intervir. Mas sendo proveniente da queimada não se pode fazer nada. É claro que existem critérios para serem respeitados como não queimar em dia de vento, ter um caminhão-pipa no local onde o fogo será alastrado, entre outros, informa. O que a comunidade pode fazer, orienta Fátima, é reivindicar que a cana não seja plantada tão próxima da cidade.
Para o meio ambiente, a queima constante degrada o solo. Se não houver autorização e controle, resulta em multa e cadeia, acrescenta a chefe do IAP. Ela diz ainda que, pela primeira vez este ano, as usinas precisam de autorização para queimar. Há um projeto prevendo que, até o ano 2000, as usinas devam mecanizar o processo. Porém, alguns estudos comprovam que, pela topografia e umidade do ar da nossa região, a mecanização seria inviável, adianta Fátima.Luciane TononDuas facesMecanização evitaria queimadas, mas causaria desemprego, segundo agrônomo de usina em BandeirantesLuciane Tonon





