População pode ficar sem maternidades
População pode ficar sem maternidades
Falta de verba atinge os hospitais que realizam partos; um deles chegou inclusive a pedir descredenciamento do SUS
Sid Sauer
Campo Mourão está correndo o risco de ficar sem nenhuma maternidade pública. A situação vem sendo contornada pela Secretaria Municipal de Saúde, mas pode explodir a qualquer momento. Dos dois únicos hospitais da cidade que realizam partos, um já chegou a pedir o descredenciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e o outro foi ameaçado pela Promotoria Pública de perder o credenciamento devido a problemas no atendimento.
No caso do Hospital da Mulher, que é responsável por cerca de 70% dos nascimentos em Campo Mourão, a situação só foi contornada com a intervenção da Secretaria Municipal de Saúde e do Conselho Municipal de Saúde. A direção do estabelecimento, que chegou a pedir, verbalmente, o descredenciamento, voltou atrás e assumiu o compromisso de manter o atendimento pelo SUS até que a prefeitura viabilize uma estrutura pública.
Só que esse compromisso também é apenas verbal, diz a secretária de Saúde, Rosemeire do Carmo Martelo. A saída do Hospital da Mulher do sistema público significaria um caos para Campo Mourão. O estabelecimento mantém 15 dos 23 leitos destinados à maternidade no município e faz cerca de 150 partos por mês. Os outros oito leitos estão no Hospital Policlínicas São Marcos, que já foi ameaçado de descredenciamento pelo Ministério Público.
Para continuar atendendo enquanto a prefeitura busca uma saída para o problema, o Hospital da Mulher retirou os leitos destinados à ginecologia que eram reservados ao SUS. A direção do hospital alega que vinha tendo prejuízos em virtude dos pagamentos do SUS serem baixos e atrasados. Como os leitos da ginecologia comumente eram usados por gestantes, a Secretaria de Saúde já vem enfrentando problemas.
O dano foi grande, admite Rosemeire Martelo. Estamos sentindo a falta de leitos. Segundo ela, os leitos que ficaram são suficientes para os períodos normais, mas há escassez nos dias de pico. Com isso, a prefeitura já chegou a ter que mandar gestantes para Araruna e Peabiru, que são as cidades mais próximas a Campo Mourão. Em outros casos, a secretaria interveio e conseguiu a internação em quartos particulares, mesmo não garantindo o pagamento.
De acordo com a secretária, a melhor saída é a conclusão da nova Santa Casa, que prevê 30 leitos do SUS para a maternidade. O problema é que o hospital, que começou a ser construído há quase oito anos, está com as obras paralisadas e não há perspectivas de reinício. A esperança é uma verba de R$ 500 mil do Reforsus, que foi prometida há mais de um ano, mas ainda não liberada. O consolo é que esse dinheiro ainda não saiu para ninguém, frisa Rosemeire.





